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    Desde os processos denominados Revoluções Industriais, e a ascensão do capitalismo o mundo vem demasiadamente priorizando produtos e mercado em detrimento de valores humanos essenciais. Nesse contexto, no Brasil,  podemos destacar a questão da doação de órgãos, que mesmo sendo realidade com a melhoria da medicina, ainda é um tabu para a maioria das pessoas, já que, há pouca informação, incentivo e ainda, a infraestrutura da maior parte dos hospitais é precária.
      Em primeira análise, em 1954, foi realizado no país o primeiro transplante de órgãos, o de córneas. Ao longo dos anos, o número desses procedimentos aumentou, porém, ainda é insuficiente para a quantidade de pessoas necessitadas dessas doações. Com efeito, a principal causa desta situação é a falta de uma educação voltada a valores sociais como a empatia, e isso acaba transformando jovens e crianças em cidadãos pouco reflexivos e aptos a gestos generosos. 
     Além disso, as instituições de ensino falham também na exposição de informações e incentivo as pesquisas autônomas de assunto importantes (como a doação de órgãos) acarretando assim, a perpetuação do senso comum, o qual afirma que indivíduos que se auto declaram doadores estão mais propícios a antecipação da morte, em casos de acidente, por exemplo, pelos médicos dos hospitais e, ou que a maneira que é retirado os órgãos é descuidada, entre outras coisas. Enfim, nada mais que especulações equivocadas e que podem ser corrigidas, consoante a ideologia do escritor Paulo Freire, "se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda".
     Em segunda análise, outro fator que contribui para a grande fila invisível (mais de 40.000 pessoas, segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos) à espera de doadores é a precariedade do sistema público de saúde, que deixa a sociedade temerosa em doar ainda em vida o que pode, como a medula óssea, e gera nas famílias falta de confiança nos procedimentos (não acreditando que realmente o ente querido tenha tido morte cerebral e possa ser doador), esse último caso é o mais frequente, motivando 40% de recusa pelos grupos familiares. 
     Em vista do exposto, medidas são necessárias para resolver essa problemática. A priori, o Ministério da Educação deve criar debates pedagógicos obrigatórios nas escolas a respeito de assuntos sociais, à exemplo doação de órgãos, desde as classes fundamentais até as do ensino médio, para refutar o senso comum e incentivar a generosidade. A posteriori, o Ministério da Saúde deve destinar mais verbas aos hospitais de todas as regiões do país para o desenvolvimento homogêneo do sistema público de transplante de órgãos (melhoria no transporte, aparelhagem técnica, e capacitação de equipes médicas). Só assim, a solidariedade vai vencer e as filas de espera de órgãos diminuir.