Envie sua redação para correção
    Em decorrência das novas descobertas científicas, sobretudo na área da saúde, ocorreu, na década de 50, o primeiro transplante bem sucedido de órgãos. Na contemporaneidade, a doação de órgãos é uma realidade no Brasil, mas que enfrenta diversos entraves - visto que há um índice muito baixo de doadores para uma alta demanda. Por conseguinte, muitos cidadãos brasileiros acabam falecendo devido a falta de órgãos disponíveis para doações, seja pelo individualismo ou pela desinformação da população.
          Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, na pós modernidade, a lógica hiper capitalista tornou as relações sociais completamente artificiais e fluidas. Sob este ângulo, as relações familiares se tornam mais frágeis, como consequência, os entes não sabem o posicionamento do possível doador, e acabam optando por não realizar a doação. Conforme os dados da ABTO, cerca de 43% das famílias consultadas não dão autorização para a realização do procedimento. Logo, percebe-se o individualismo e a consequente falta de empatia como fatores potencializadores para o impasse da doação. 
          Outrossim, para o Theodor Adorno, filósofo alemão, os meios de comunicação funcionam como uma bússola que norteia a sociedade atual. Entretanto, há poucas informações veiculadas por tais meios que orientem e esclareçam a população acerca da temática. Nesse aspecto, existem mitos na sociedade brasileira - a exemplo do custo da cirurgia ser responsabilidade da família e a ideia de que o corpo do doador ficará mutilado - que entravam os indivíduos a optarem pela solidariedade. Lamentavelmente,  a falta de informação custeia vidas humanas, visto que, em 2016, pouco mais de 2 mil pessoas morreram na fila de espera, segundo dados do Ministério da Saúde.
            Urge, portanto,  que medidas sejam tomadas para a conquista de novos possíveis doadores. Em razão disso, é primordial que o Ministério da Saúde, por meio de campanhas midiáticas - sobretudo no horário nobre - incentive as famílias a aceitarem a doação dos órgãos daqueles que têm declarada a morte encefálica, a fim de estimular a solidariedade e empatia, bem como informar e despertar interesse por parte da sociedade.Quem sabe, desse modo, o tempo na fila de espera se reduza com a conquista de novos doadores.