Dilemas da doação de órgãos

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    Embora o Brasil tenha o maior programa público de transplantes de órgãos, ainda é alto o índice de não autorização dos familiares. No entanto, se todas as vítimas de morte encefálica doassem, não haveria filas para se conseguir um transplante no país. Nesse âmbito, pode-se analisar que essa problemática persiste devido à recusa da família e da falta de esclarecimento quanto a essa tão importante ação, que salva muitas vidas. 
       Em primeiro lugar, vale ressaltar que o transplante de órgãos é recente na medicina, uma vez que o primeiro registrado no Brasil foi em 1964. Desde então, houve uma grande evolução das técnicas visando evitar a rejeição, de forma que sucedeu um crescimento no número de pessoas transplantadas. Apesar disso, as filas de espera têm aumentado, porque, segundo dados do Ministério da Saúde, 43% dos brasileiros negam a doação de órgãos de seus familiares após a morte. Isso ocorre, porque em 2001, com a Lei 10.211, a decisão sobre doar ou não passou a ser dos parentes do paciente. Assim, muitas famílias têm dificuldade em compreender a morte cerebral, pois pensam que a vítima ainda está viva, devido ao fato do coração ainda funcionar. 
       Por outro lado, a doação de órgãos traz enormes melhorias à saúde de indivíduos afetados por doenças que, de outra forma, seriam incuráveis. Contudo, as campanhas de incentivo a essa prática não são o bastante, porque a sociedade precisa de mais do que motivação para isso. Diante disso, torna-se necessário haver uma educação sobre esse assunto, semelhante a que ocorre nos países com os melhores serviços de capitação de órgãos no mundo, como a Espanha e os Estados Unidos. De modo que tal temática está inserida no cotidiano desde crianças, por intermédio da escola. Logo, como citou o filósofo moderno, Immanuel Kant, o esclarecimento gera mudança no pensamento das pessoas, de modo a levá-las a tomarem decisões benéficas a toda sociedade. 
        Fica evidente, portanto, a necessidade de haver ações para sanar esse problema. Logo, cabe aos hospitais, inserir os familiares do paciente no processo médico e acompanhá-los psicologicamente. Isso tem que acontecer, por meio do diálogo e orientação, de modo que, no caso de óbito, tenham ajuda para lidar com a situação, e assim, evitar que eles recusem doar os órgãos. Ademais, o Ministério da Educação e Cultura (MEC), deve adicionar ao currículo escolar discussões sobre esse assunto, por meio de palestras e rodas de conversas, com profissionais da saúde. Já a mídia precisa intensificar as campanhas nas redes sociais e na televisão sobre a doação de órgãos, por meio de investimentos governamentais. Tais medidas devem ser tomadas, a fim de disseminar informações e mobilizar a sociedade a realizar essa prática que salva vidas.