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    É possível afirmar que a doação de órgãos, no Brasil, infelizmente, ainda é um dilema para muitas famílias. Nesse contexto, de acordo com o relatório divulgado pelo Ministério da Saúde e pela ABTO - Associação Brasileira de Transplante de Órgãos - percebe-se que esse ato de generosidade tem sido cada vez mais naturalizado, devido ao crescimento de transplantes. Contudo, apesar da evolução, 43% das famílias ainda se recusaram a doar, em 2016. Dessa forma, é necessário analisar quais são os empecilhos para que tal problemática persista, com o propósito de combatê-los e salvar mais vidas.
          A doação de órgãos, atualmente, só pode ser realizada na situação específica de morte cerebral e, somente, mediante autorização dos familiares. Geralmente, se um ente querido precisa de um transplante o indivíduo é favorável, porém, quando pode doar e salvar a vida do próximo a concepção sobre o ato muda, logo, o exercício de se colocar no lugar do outro precisa ser incentivado. Além disso, o momento doloroso e delicado aliado à falta de informação e de conhecimento estimulam o receio, por exemplo, de que o órgão seja traficado. Em tal situação, a religião também costuma legitimar a recusa, devido a crença de que um milagre reverta o quadro, embora seja cientificamente impossível nesses casos. Aliás, a maioria das religiões, incentivam a conduta, tratando-a como um ato de caridade. 
          Outrossim, é imprescindível notar que a influência dos meios de comunicação pode exercer funções sociais, ao impulsionar a discussão sobre o tema dentro do ambiente familiar. Em situação análoga, há pouco tempo, a novela "Malhação" reacendeu o debate com o personagem "Felipe" - jovem e vítima de acidente - cujo os pais não queriam autorizar a doação de seus órgãos, mas se convenceram de que era o melhor a se fazer. Ademais, de acordo com o relatório da ABTO, apesar de 95% dos transplantes, no Brasil, serem realizados pelo SUS - Sistema Único de Saúde - a mão de obra especializada está concentrada nas regiões Sul e Sudeste, e, tal fator, impede que muitas vidas sejam salvas.
          Em suma, faz-se necessário que medidas sejam tomadas, com a finalidade de salvar mais vidas. Sendo assim, a verba dada pelo Governo ao Ministério da Saúde necessita de reajuste, pois, assim, o Órgão poderá, não só, direcionar investimentos às regiões carentes de profissionais e infraestrutura, mas, também, aliado aos meios de comunicação, promover campanhas informativas que atribuam credibilidade e confiança ao sistema. Cabe ao Ministério da Cultura, por sua vez, ampliar o incentivo à produção artística engajada - peças teatrais, filmes e novelas - que propaguem a doação de maneira positiva, com o intuito de estimular os indivíduos a manifestar a sua vontade de doar, dentro do ambiente familiar. Por fim, a parceria entre escolas e igrejas - mediante palestras e debates com as crianças - com efeito, despertará o exercício de altruísmo e formará adultos cada vez mais conscientes.