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    De acordo com a ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Orgãos), no primeiro semestre de 2017, as famílias que autorizaram a doação de órgãos de parentes foi cerca de 16% maior que no ano de 2016. Embora o aumento seja positivo, ainda existem diversas pessoas aguardando para receber a doação. Nesse contexto, deve-se analisar como a recusa das famílias e a falta de informação dos cidadãos influenciam na problemática em questão. 
      Segundo a filosofa Hannah Arendt, "o mal é algo de que todos somos capazes", inclusive as famílias, que sem se dar conta são as principais responsáveis pela enorme lista de espera para o transplante de órgãos. Isso acontece porque, na sociedade capitalista vivida nos dias atuais, o desejo insaciável pela obtenção do máximo lucro faz com que as pessoas destinem o tempo mais ao trabalho do que ao diálogo com os familiares e amigos. Em decorrência disso, os parentes não tem conhecimento do desejo e permissão dos entes falecidos em doar os seus órgãos, o que facilita a negação de 43% das famílias nessa cooperação, segundo a ABTO.  
      Outrossim, a falta de informação é outro importante fator para os baixos índices dessa ajuda no país. Muitos indivíduos não sabem que precisam autorizar a prática para essa ser exercida, além de não entenderem a morte encefálica e acreditarem em uma possível recuperação do falecido. Nesse contexto, em 1991, foi promulgada uma lei que obrigava a doação de órgãos de todos os brasileiros no caso de morte cerebral, exceto os indivíduos que obtivessem um documento de recusa ao procedimento. Infelizmente, tal medida não obteve os efeitos esperados e gerou uma revolta social, terminando com o projeto e perpetuando um dos grandes problemas do SUS (Sistema único de saúde): a fila de espera. 
      Destarte, é indubitável a necessidade de medidas que facilitem a superação das barreiras que impedem a doação de órgãos no país. Para tanto, é necessário a ação do Governo junto ao Poder Legislativo, na elaboração de uma lei que vise a obrigatoriedade de um documento permitindo ou não o auxilio em questão. Assim, as famílias não precisarão aprovar tal ato, e a falta de diálogo entre esses não seria um impasse para a solidariedade. Ademais, é mister o papel do Ministério da Saúde em ação conjunta ao SUS na introdução de psicólogos e psiquiatras nas famílias dos falecidos pela morte encefálica, para uma explicação e maior conscientização sobre o óbito ocasionado, a fim de que esses entendam que não é possível a recuperação do individuo, além de explicarem a necessidade de ajudas perante a enorme fila de espera vigente. Diante dessa conjuntura, os empecilhos para doação de órgãos no Brasil serão cada vez mais mitigados.