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    Doando vidas
      Em 1985 o Brasil entrou para o grupo de países que realizaram transplantes de órgãos. Desde então, a técnica que salva milhares de vidas todos os anos, vem recebendo uma grande demanda, que infelizmente não é atendida pela população. O tabu sobre morte e doação de órgãos está presente no Brasil e pode colaborar para falta de conhecimento sobre os processos realizados. Nesse contexto, nota-se a necessidade de uma melhor distribuição de informação sobre a doação de órgãos, e os efeitos que a ausência dessa prática pode causar na sociedade.
      Em primeiro lugar, é necessário analisar o motivo da persistência de manter um tabu nacional relacionado à assuntos controversos. A cordialidade do brasileiro pode atrapalhar quando se trata de temas mais polêmicos como a doação de órgãos. A falta de repercussão de informação por parte da mídia, também colabora para que o assunto não seja discutido, ou até mesmo lembrado pela sociedade. Esse descaso social contribui para um aumento no número de pessoas que aguardam a doação de um órgão. 
       Além disso, é preciso expor para a sociedade os efeitos causados pelo abandono e desconhecimento sobre o assunto. Segundo a ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos) cerca de 40.000 brasileiros estão aguardando na fila de transplantes e muitas dessas pessoas morrem na fila de espera. Além disso, ainda existe um número grande de recusas quanto à doação de órgãos por parte da família de pessoas que sofrem morte cerebral. Um estudo realizado pela Escola Paulista de enfermagem da Universidade Federal de São Paulo mostrou que essa recusa se deve 21% por não compreenderem o conceito de morte encefálica, 19% por atribuirem decisões à crenças religiosas e outros 19% por responsabilizarem a falta de competência da equipe hospitalar. 
      Fica evidente, portanto, a necessidade de medidas para melhorar o acesso à informações sobre o processo de doar um órgão. O Ministério da Saúde em parceria com a Mídia deve promover a criação de campanhas informativas e conscientizadoras em programas de TV ao vivo, explicando o processo de doação de órgãos, o quadro de uma pessoa que sofre morte encefálica e a quantidade de vidas que é possível salvar com os órgãos que já não servirão mais para esses indivíduos. A Legislação Federal também deve atuar com a criação de uma lei eficiente que dê ao cidadão o direito de escolha de doação de órgãos durante a vida, sem intervenção da família após a morte. Somente assim, informando, conscientizando e empoderando, será possível despertar a solidariedade e a empatia na vida da sociedade para que essa, em conjunto, possa salvar outras vidas.