Dilemas da doação de órgãos

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    Em 1968 a equipe médica, chefiada pelo Dr. Euryclides Zerbini, realizou o primeiro transplante de coração da América Latina.Entretanto, apesar do pioneirismo no continente, a doação de órgãos no Brasil ainda é um procedimento pouco realizado, fato que pode ser comprovado pela fila de espera com cerca de 35 mil pacientes.Essa situação, é consequência de alguns dilemas relacionados aos transplantes, como a desconfiança em relação a qualidade do serviço público de saúde e a carência de infraestrutura somada a baixa capacitação de grande parte dos profissionais.
     Atualmente, o serviço público de saúde é gerenciado pelo Governo Federal e representado institucionalmente pelo Sistema Único de Saúde que possui inúmeros hospitais e profissionais, como médicos, enfermeiras, fisioterapeutas e nutricionistas.Contudo, devido ao mau gerenciamento dos recursos financeiros e a corrupção os serviços prestados pelo SUS estão repletos de problemas, tais quais a desorganização, a burocracia, a insuficiência de profissionais para suprir a alta demanda de pacientes, a falta de medicamentos e material hospitalar.Assim, esse contexto caótico influência diretamente a decisão dos familiares em não aceitar a doação de órgãos, visto que com a baixa credibilidade do sistema de saúde pública as pessoas não confiam no diagnostico de morte encefálica e tem receio em relação aos cuidados com o corpo de seus familiares. 
     Desse modo, sistemas como a Organização Nacional de Transplantes proporcionaram a Espanha tornar-se referência em doações de órgãos, já que em oposição ao Brasil o sistema público de saúde espanhol transmite credibilidade aos pacientes.Além disso, a ONT fornece treinamento de  excelência aos profissionais responsáveis por dialogar e instruir às famílias sobre a importância da doação de órgãos, como um ato de generosidade que pode salvar até oito vidas, o que estimula os familiares aceitarem a doação como um último ato de generosidade em nome do ente querido que faleceu.
    Logo, apesar do pioneirismo da medicina brasileira o país precisa melhorar a imagem do SUS perante a população e esclarecer eventuais duvidas a respeito da doação de órgãos para reduzir as longas filas de espera por um órgão.Para solucionar esse problema, é necessário que o Ministério da Saúde realize melhorias na infraestrutura dos hospitais, bem como promova cursos aos profissionais da saúde que sigam os padrões da ONT e objetivem o diálogo com os familiares sobre os benefícios da doação de órgãos.Outrossim, o Ministério da Educação deve estimular os cientistas e acadêmicos a realizarem o desenvolvimento de pesquisas com a utilização de órgãos de animais com o objetivo de avançar na área dos xenotransplantes, como uma alternativa a longo prazo  para reduzir as longas filas de espera em busca de um órgão.