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    Na Ilíada, Homero cita o transplante de órgãos como um meio de salvar vidas exclusivo dos deuses.Com o avanço tecnológico,entretanto, esse gesto cidadão está ao alcance da maioria populacional.Porém, apesar de ser o maior avanço da Medicina brasileira, é, simultaneamente, o seu maior desafio, visto que enfrenta dilemas enraizados não só pela falta de preparo sociocultural, como também pela infraestrutura titubeante. Diante dessa conjuntura,o cumprimento desse dever cívico é limitado.
      De acordo com Durkheim,uma sociedade com patologia é caracterizada pela fragilidade da consciência coletiva.De fato, ao analisarmos como a falta de esclarecimento sobre a morte encefálica,aliada ao receio quanto à comercialização dos órgãos, impede a movimentação das partes em prol do todo social, ambiência que resulta na alta mortalidade nas filas de espera. Somado a isso, embora haja grande consentimento dos indivíduos para a doação de seus órgãos, dados do Jornal da Cultura, a atuação como doadores efetivos é interrompida por esses estigmas sociais que cercam os familiares.
       É válido ressaltar,ainda,como a discussão acerca da doação denuncia as falhas do acesso democrático à saúde.Prova disso, é como a centralização dos postos de transplantes no sudeste brasileiro,por exemplo, parecem desconsiderar o curto tempo para a isquemia orgânica. Por conseguinte, os receptores das zonas norte e centro-oeste são impactados com a aparente inércia de transplantes nessas áreas.
      Faz-se necessário,portanto,que a ficção engajada realize o apelo constante à causa,pois ao abordar a morte encefálica em novelas e divulgar a eficácia do combate ao tráfico de órgãos no país,a consciência social será fortalecida.Ademais,os líderes municipais devem construir centros de transplantes nas áreas com menos recursos, de maneira a reduzir as filas de espera locais.Destarte,com as aulas obrigatórias sobre doação de órgãos nas escolas,salvar vidas não será um ato épico,como dizia Homero,mas sim um gesto de ética cidadã cotidiano.