Dilemas da doação de órgãos

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    Segundo a Associação Brasileira de Transplante de órgãos, mais de 1600 famílias autorizaram a doação de órgãos de parentes no primeiro semestre de 2017, ou seja, 16% a mais do que no mesmo período do ano de 2016. Mesmo assim, existe mais de 40 mil brasileiros à espera de doação de órgãos – sem levar em consideração a demanda oculta. Além disso, 43% da população ainda nega a transplantação de órgãos de seus familiares. Esta, por sua vez, tem sido a causa principal da grande fila de espera, além da questão do transporte aéreo dos órgãos doados. 
        No Brasil, a Constituição Federal determina que a doação de órgãos após o óbito só pode ocorrer em casos de morte encefálica, seguida da autorização da família e da investigação do histórico clínico do doador. As razões pelas quais famílias não aceitam doar os órgãos são multifatoriais: desinformação acerca da irreversibilidade da morte cerebral, falta de diálogo sobre o assunto com o doador, o sofrimento advindo da perda, a incompreensão do processo de transplante de órgãos, a desconfiança no Sistema Único de Saúde. 
        A família poderia fazer da perda uma oportunidade para promover benefício a alguém que precisa de um órgão para viver. Dessa maneira, a doação de órgãos tornar-se-ia ferramenta poderosa para amenizar a dor alheia mediante uma atitude de amor, que cooperaria para a manutenção da vida de muitos brasileiros que vivem no vale da sombra da morte. 
       Portanto, para que haja a diminuição na fila de espera para o recebimento de órgãos doados, o Ministério da Saúde deve promover campanhas educativas, visando conscientizar as famílias da importância da doação de órgãos e as suas etapas. Ademais, o Ministério da Educação precisa implementar debates e palestras nas escolas sobre o assunto, a fim de diminuir a sub-informação. Outrossim, o Ministério dos Transportes tem de disponibilizar jatinhos para a locomoção mais rápida dos órgãos doados. E, os profissionais da saúde precisam diminuir a subnotificação junto às famílias, no ato da morte encefálica, para que haja mais doações.