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    Embora recentemente a taxa de doação de órgãos tenha aumentado no país, o número de pessoas na lista de espera, aguardando por um transplante, ainda é imenso. Além da grande dificuldade em convencer as famílias a concordarem com esse gesto, o comércio ilegal de órgãos tornou-se um transtorno que afeta a população mundialmente, evidenciando a urgência por solução desse dilema.
     Dito fora, pelo médico e escritor brasileiro Augusto Cury que ser solidário é enxergar no próximo as lágrimas nunca choradas. De fato, é uma grande dor lidar com a morte de um ente querido, entretanto alguns familiares se esquecem que há uma imensa lista de espera onde pessoas aguardam por um gesto altruísta, a doação de um órgão, com esperança de poder voltar a viver normalmente, caso encontrem um doador compatível. Quer seja por comodismo, por medo - já que muitos evitam falar sobre a morte -  ou pela falta de esclarecimento sobre o sistema de doações,  muitos familiares apresentam resistência em doar os órgãos da pessoa recém perdida.  Em virtude disso, faz-se necessário  esclarecer que após um acidente vascular cerebral, morte encefálica ou traumatismo craniano, onde os órgãos da pessoa são mantidos funcionando por máquinas, cientificamente é impossível que ela volte a vida. 
     Ademais, o comércio ilegal de órgãos - segundo tipo de tráfico mais lucrativo, perdendo apenas para o tráfico de armas, segundo a Organização das Nações Unidas - contribui para a agravação do impasse.  Este crime aproveita-se da condição de vulnerabilidade social alheia para conseguir vantagens, muitos doentes ricos vão para países carentes onde abusam de pessoas desfavorecidas e sem estudos, que estão desesperadas financeiramente e não veem problemas em vender seus órgãos. Além disso essa prática estimula a corrupção em hospitais e muitas pessoas são enganadas e induzidas a acreditarem que precisam de operação cirúrgica e tem seu órgão removido. 
     Somando-se aos aspectos supracitados, é crucial a adoção de medidas para resolver esse dilema. Inicialmente o Ministério da Saúde poderá divulgar cartazes físicos e propagandas em mídias sociais com dados informativos sobre a doação de órgãos e como ela funciona, desmistificando o processo de transplante, além de mensagens de incentivo que mostrem a dificuldade das pessoas que aguardam na fila de espera por um gesto de solidariedade, estimulando a conversa entre familiares, para que se esclareça em vida a opção de cada um em ser doador ou não. Por fim, cabe ao Governo Federal investir na fiscalização em hospitais e implantar postos em fronteiras que monitorarão o tráfico ilegal de órgãos para fora do país. Desse modo, com a comoção da sociedade e a prevenção do tráfico, a doação de órgãos aumentará e atenuará o problema daqueles que aguardam em filas para transplante.