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    Durante a Idade Média, ocorreram poucos avanços na medicina, pois o estudo do corpo humano era reprimido pelo clero. Hodiernamente, mesmo com o elevado desenvolvimento do setor da saúde, a quantidade de doações de órgãos e tecidos, devido a fatores sociopolíticos, é insuficiente para suprir as necessidades hospitalares brasileiras. Nesse sentido, o pouco conhecimento da sociedade e a ineficiente infraestrutura dos hospitais evidenciam a necessidade da promoção de ações sociais, com o fito de sanar o problema abordado. 
      Mormente, cabe pontuar que a baixa quantidade de informação e instrução das pessoas acerca da doação de órgãos dificulta o crescimento desse ato humanitário. Isso ocorre, pois, em função da escassa mobilização estatal e midiática, não há campanhas educativas suficientes para mitigar a desconfiança e o medo da população sobre o assunto, principalmente no que tange à morte encefálica. A sociedade, então, por tender a incorporar as estruturas sociais de sua época, conforme dito por Pierre Bourdieu, internaliza o amedrontamento em relação à concessão de órgãos, gerando, de acordo com a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, 44% de negativa familiar em 2008. 
      Outrossim, a infraestrutura hospitalar é incompatível com a expansão da doação de órgãos e tecidos no Brasil. Essa problemática, consoante ao pensamento do sociólogo Émile Durkheim de que a normalidade e a coesão não são garantidas quando as instituições sociais não cumprem seus papéis, acontece devido ao reduzido investimento financeiro efetivado pelo Estado no ramo da saúde pública. Diante disso, os centros médicos, por não terem equipamentos de qualidade e equipes profissionais suficientes, têm cirurgias de transplante e o transporte dos órgãos dificultados, provocando a perda de tecidos saudáveis, principalmente nas regiões interioranas. 
      É evidente, portanto, que há entraves para o melhoramento da questão dos transplantes de órgãos e tecidos no Brasil, necessitando-se a mudança de tal circunstância. Por isso, cabe ao Ministérios da Saúde, em parceria com a mídia e o Ministério da Educação, potencializar as políticas educativas voltadas para tal assunto, a fim de incentivar o interesse de doar órgãos na população. Dessa forma, nas escolas, palestras, debates e panfletagens com médicos devem ser realizados para pais e alunos; bem como propagandas de caráter apelativo precisam ser expostas nos principais canais de televisão aberta e nas redes sociais. Ademais, o Executivo deve reformular a estrutura dos hospitais, equipando-os com instrumentos e equipes médicas, para que os procedimentos cirúrgicos sejam realizados com sucesso. Assim, poderá haver progresso das doações de órgãos e tecidos no Brasil.