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    Empatia por finalidade
          O ato de doar é permitir que a vida do ente querido continue em outro corpo. A lei do transplante completou, em 2017, 20 anos o que demonstra o quanto os brasileiros são solidários embora, ainda exista entraves como, a falta de uma cultura disseminada pró doação de órgãos, a necessidade de transplantes no país e o baixo esclarecimento sobre a morte encefálica.
         Em primeira análise, a ausência da conversa entre os brasileiros sobre a morte é um dos responsáveis pela precariedade do número de doadores no país. Assim, campanhas como o setembro verde ajudam a colocar em pauta esse assunto na vida dos cidadãos. Vale lembrar que esse é o mês escolhido para a campanha de doação de órgãos, precisamente, 27 desse mês, por ser comemorado o dia de são Cosme e Damião, por conta da lenda que seriam eles os primeiros transplantadores no mundo.
          Ademais, vale ressaltar que as normas brasileiras não permitem a manipulação genética e a venda de órgãos assim, os receptores dependem de pessoas desconhecidas e altruístas o que é um acontecimento, na maioria das vezes, raro. Segundo o Hospital Israelita Albert Einstein, o Cadastro Técnico Único tem por volta de 35 mil pessoas aguardando um transplante e, infelizmente, essa lista não reduz.
          Em contrapartida, a falta de informação sobre morte encefálica (perda completa e irreversível das funções cerebrais) fomenta a recusa dos familiares de praticarem, e, por vezes, respeitarem a vontade do falecido. A necessidade de uma propagação sobre o protocolo utilizado, atualmente, no Brasil que é seguro e eficaz, segundo organizações mundiais de saúde, a detecção do diagnóstico se faz urgente para a diminuição dos pacientes que aguardam com grandes expectativas em filas virtuais.
          Logo, a mídia tem a responsabilidade de inserir experiências bem-sucedidas sobre doação e transplante em telenovelas com o objetivo de fomentar a discussão do tema e aumentar o número de indivíduos dispostos a fazerem parte dos doadores. Além disso, o Ministério da Saúde deve capacitar os profissionais da área no que se refere ao olhar para os familiares entendendo suas perdas e viabilizando um canal de confiança e comunicação para alcançar o assunto da doação com respeito e responsabilidade por meio de disciplinas nas graduações, bem como em congressos e seminários com o apoio das equipes envolvidas nos transplantes com o objetivo principal de informar sobre o diagnóstico de morte encefálica e garantir dessa maneira a decisão de doar.