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    Geoffrey Gorer,escritor do estudo intitulado "A pornografia da morte", foi um dos principais sociólogos a falar sobre a mudança do sentido natural da morte para um tabu, a partir de meados do século XX, com o processo de individualismo.De modo que esta "obscenidade" da morte inibe conversas,familiares e sociais,sobre assuntos  de extrema importância, como a doação de órgãos.Além disso,outros fatores contribuem para a manutenção de enormes filas de espera por transplantes,a exemplo da falta de conhecimento social sobre o assunto e de apoio legislativo aos doadores.
      Decerto,a urbanização e a industrialização acarretou a aceleração do processo de individualismo.Em consonância,o falecimento de entes queridos tornou-se um tabu e o conhecimento sobre a doação de órgãos e suas possibilidades perdeu-se em meio à ignorância social sobre o desejo do enfermo nessa situação, a irreversibilidade do quadro clínico de morte cerebral,o cuidado médico em manter a aparência do paciente após o transplante e a importância desse ato para salvar outras vidas.   
      Além disso,a doação de órgãos em vida,que ,de forma geral, não traz nenhum prejuízo de saúde ao doador, ainda é uma prática pouco disseminada no Brasil.Tal fato deve-se não apenas a falta de conhecimento sobre o tema,mas também a inexistência de apoio do Estado para que o doador não sofra nenhum tipo de "retaliação" de seus empregos,por causa da licença médica, e contêm com segurança financeira para suas famílias em casos ,que por negligência médica,haja morte do doador ou sequelas de sua cirurgia. 
      Entende-se,portanto,que a doação de órgão deve ser um assunto constantemente debatido nas famílias,para que  caso de possibilidade de transplante exista um consenso entre os familiares e para que ante-mão esses também tenham ciência de todo o processo e sua importância social.Ademais,é essencial que a doação de órgãos ,ainda em vida, tenha maior adesão,para isso é necessário que o poder legislativo aprove leis que tragam garantias constitucionais aos doadores ,como ,por exemplo, que o hospital em conjunto com os médicos responsáveis garantam uma indenizações para casos de complicações motivadas por negligência médica ou hospitalar,a partir de 10.000 reais,de acordo com a gravidade do transplantado,e que o paciente não receba nenhuma isenção salarial ,durante o período de operatório,ou qualquer forma de discriminação de seu ato pelo seu patrão.As duas propostas devem ser acompanhadas da conscientização,o que seria feito através de companhas publicitárias e da colocação do tema como parte da grade curricular,abordado pelos professores de filosofia, sociologia e biologia,que falariam sobre a importância empatia,em contraponto ao individualismo,e como ocorre todo processo de transplante de órgãos.