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    O Estatuto da Criança e do Adolescente assegura, à juventude brasileira, o direito à infância livre de preocupações e maus-tratos. No entanto, seja por desfavoráveis situações econômicas, seja pelas falhas dos artigos constitucionais, inúmeros jovens vêm tendo as páginas iniciais de suas biografias arrancadas por seus precoces ofícios. Nesse prisma, é crucial uma minuciosa análise acerca do trabalho infantil, uma das manchas da Idade das Trevas que ainda perpetuam pelo mundo.
          Em primeira instância, é indubitável que fatores socioeconômicos corroboram a continuidade dessa mazela. Sob tal perspectiva, cabe ressaltar que Carolina de Jesus, autora da obra "Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada" relatou as precárias situações de famílias de zonas periféricas - que, pela dura busca à subsistência, são coagidas a condenarem seus filhos ao trabalho. Acresce-se o fato de que, por conta das prematuras atividades de ofício, diversas crianças sofrem com o inacesso à educação, fomentando suas longevas más condições econômicas. Logo, é fundamental a gênese de ações políticas que amparem os habitantes das margens urbanas, desintegrando a necessidade do trabalho infanto-juvenil.
          Outrossim, consoante ao poeta Cazuza, "Eu vejo o futuro repetir o Passado", o trabalho na infância não representa uma problemática hodierna. Nesse viés, é válido destacar que, durante a Idade Média - período o qual a expectativa de vida não atingia os 25 anos -, as crianças eram vistas como mini-adultos e tinham que desempenhar, no campo, as mesmas funções de seus pais. Contudo, vários séculos passaram-se, as ideologias sociais evoluíram-se; e, ainda, existem jovens atuando em atividades inapropriadas às suas idades, explicitando falhas nas aplicações dos códigos da Magna Carta. Por conseguinte, já que o vetor cronológico não foi suficiente à sanação do impasse, faz-se pertinente uma maior atenção dos órgãos governamentais à juventude verde e amarela.
          Infere-se, em suma, que a questão do trabalho infantil afeta o desenvolvimento individual dos cidadãos do solo tupiniquim. Destarte, torna-se ponderável que o Ministério do Desenvolvimento Social invista em projetos como o Bolsa Família, que estimulam a frequência dos famigerados brasileiros ao ambiente escolar, promovendo a ocupação da carga horária dos que, atualmente, exercem exorbitantes atividades proletárias. Ademais, o Ministério da Educação, em face das escolas públicas, pode oferecer apoio econômico às famílias dos mais necessitados alunos, garantindo a frequência desses às instituições de ensino. Somente sob tais pontos de vista, a comunidade brasileira, futuramente, abrigará, apenas, cidadãos bem sucedidos, ora financeiramente, ora mentalmente.