ENEM 2005 - O trabalho infantil na realidade brasileira

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    Semeando possibilidades
      O Trabalho dignifica o homem, e não a criança. Um país que, em 2004, apresenta mais de 5 milhões de crianças e adolescentes trabalhando é alarmante. Garantir que, essa população infantil seja assegurada é de extrema urgência e, além disso, é um investimento no futuro do país no qual a desigualdade social é tão preponderante.
      Philippe Aries, historiador francês, retrata como é cruel o trabalho nessa fase da vida, apesar do risco ser maior quando à ocupação está relacionada com a prostituição ou trabalhos que colocam em perigo a integridade física e mental do menor como, doenças sexualmente transmissíveis e transtornos compulsivos e obsessivos. Sendo assim, o entendimento sobre o que é definido por leis que se encontra no Estatuto da Criança e do Adolescente é indispensável.
      Esse problema não é recente, as raízes culturais brasileiras são marcadas por uma sociedade patriarcal e, desse modo, o trabalho é considerado como uma forma de educar e ensinar o ofício para os filhos, protegendo-os, inclusive, da marginalidade. Outro modo que confirma a redução de futuros infratores são os cursos profissionalizantes em escolas da região.
      Paralelamente, aos cursos técnicos, o esporte e a arte podem ser, no primeiro momento, a opção por um caminho diferente. É comum encontrar desportistas que eram apenas frequentadores, de escolinhas, disputando medalhas Olimpíadas, oriundos de projetos sociais. Vale ressaltar ainda, os grupos culturais como o Nós do Morro, projeto carioca que tem como objetivo aproximar crianças carentes da realidade do asfalto. Esse projeto funciona como escada para novos atores protagonizarem produções nacionais.
      Fica claro que, a fiscalização sobre os abusos as crianças e aos adolescentes é algo que deve ser conduzido de forma austera para que os prejuízos possam ser extintos. Capacitar profissionais da saúde no que se refere à detecção de abuso e violência a fim de proteger os menores. Os cursos profissionalizantes, bem como o ensino do ofício familiar devem ser mantidos, preservando o ensino regular para que eles tenham o direito de escolha profissional futuramente. Além desses atributos profissionais, assegurar que o lúdico e a vocação estarão sempre presentes em uma fase que semear sonhos é de suma importância.