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    Implantada pela Organização das Nações Unidas em 1946, a Declaração dos Direitos Humanos objetiva garantir a dignidade antrópica. Porém, percebe-se que no Brasil essa dignidade é rompida por uma problemática calcada na desigualdade social e na mentalidade familiar do país: o trabalho infantil.
      Aponta-se, a princípio, que o abismo social é fator supremo do problema supracitado. Isso porque o Estado, inobservante às classes inferiores, fere seu papel de gestor coletivo, uma vez que concentra a produção industrial nacional e, consequentemente, a renda nas regiões sul e sudeste. Dessa forma, a disparidade de capital em regiões periféricas como o nordeste - esse com o maior número de crianças trabalhando - induz as famílias de baixa renda a submeter seus filhos ao trabalho, muitas vezes com o objetivo de alcançar condições básicas de sobrevivência, que deveriam ser garantidas pelo Estado.
      De maneira análoga, a mentalidade social está entre as causas da manutenção do trabalho infantil. Isso se evidencia na imagem do trabalhador, que na mentalidade familiar - principalmente na área rural - possui honra e honestidade. Nesse contexto, na tentativa de afastar da criminalidade e de suprir necessidades de integração social negligenciadas pela esfera pública - como escola e lazer -, as famílias incorporam as crianças na condição do honrado e moral trabalhador.
      Infere-se, portanto, que a diferença de classes gerada pelo Estado e a mentalidade social sustentam o trabalho infantil no Brasil. Logo, urge que o Poder Executivo, com auxílio do Ministério do Planejamento e do setor privado, aumente o número de beneficiários do programa Bolsa Família em escala nacional e amplie o número de empregos formais, principalmente na região nordeste, por meio da construção de novos polos industriais. Com isso, será assegurado melhores condições financeiras ás famílias carentes e, por conseguinte, a liberdade que as crianças têm, por natureza, de brincar.