Enviada em: 01/11/2018

Na antiguidade, a expectativa de vida era muito baixa e aqueles que alcançavam a velhice eram vistos como sábios, experientes e consequentemente eram respeitados, um fato histórico comprovante de tais ideais é o Conselho Ancião, constituído apenas por homens em idade avançada que aconselhavam o rei em suas decisões. Com os avanços tecnológicos conquistados após uma série de revoluções industriais, a expectativa de vida aumentou, contudo a valorização dos idosos caminhou na contramão, criando-se uma imagem relacionada a incapacidade física e mental reforçada pelo nível de escolaridade dos mais velhos, - visto que muitos não tiveram acesso à educação em idade apropriada- e os seus diversos privilégios na sociedade, como a isenção de impostos e as medidas preferenciais.       Além disso, por serem mantidos em parte por aposentadoria, são inúmeras vezes apontados como um dos principais fatores que levam a crise econômica. Na Alemanha, um dos primeiros países a sofrer com o envelhecimento populacional, por exemplo, o governo investiu fortemente na carência dos idosos, esquecendo-se da importância de investir nas taxas de natalidade, o que teve como consequência uma dificuldade econômica, uma vez que a população economicamente ativa tornou-se relativamente escassa e suas contribuições não eram suficientes para manter a economia do país. A Alemanha encontrou como solução os investimentos na taxa de natalidade sem deixar de lado os mais velhos, mas esse estigma de atraso econômico ficou atrelado a imagem do idoso.       Todavia, ao contrário da imagem construída socialmente, com o aumento da expectativa de vida aumentou-se também a qualidade de vida, e cada vez mais os idosos demoram para apresentar debilidades físicas ou mentais, e tendo capacidade, se mantêm trabalhando ativamente, praticando esportes, dentre outras atividades. Um dado que comprova isso, é um censo do IBGE que constatou que 53% das casas brasileiras recebem uma contribuição, de pelo menos 50%, dos idosos.     Sob este ângulo, é possível perceber que a revolução demográfica, processo de inversão da pirâmide etária que é inicialmente constituído por base (número de jovens) larga e ápice (número de idosos) estreito; não tem sido acompanhada pela valorização social do idoso. Tendo como consequência o abandono social e a exclusão dessa parcela da população. Por isso movimentos como o da Garage IM que propõe a alteração do símbolo que representa o idoso (um velho curvado com uma bengala, utilizado em locais públicos) são de extrema importância. Desse modo, cabe ao governo aderir a esse movimento através da mudança da imagem do idoso trocando os símbolos que os fragilizam e promovendo palestras de conscientização sobre o envelhecimento populacional, a fim de valorizar essa faixa etária e explicar sua importância para a nação.