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    O Brasil, dada a sua história, tem como característica a segregação sócio-espacial. Vale relembrar, que ainda como colônia existiam as casas grandes, habitadas pelos mais abastados, e a senzala, onde os escravos eram trancafiados. Ainda na hoje, nossa sociedade reflete esse estigma, onde há lugares demarcados para ricos e pobres, os antigos escravos. Nesse contexto, os rolezinhos representam como um fenômeno social a mobilização, dos jovens periféricos, entre esses núcleos secularmente pré definidos. Dessa forma, fica evidente que tanto a desigualdade social como a ausência de ambientes para lazer em comunidades, agem em conjunto para a perpetuação do problema, a primeira mantendo e a segunda o expondo. 
      Em primeira instância, cabe dizer que o nosso país é muito extenso e muito povoado. Entretanto, por mais que sejamos a quinta maior economia no mundo, há uma concentração monetária e de poder muito grande, que remete às oligarquias. Dessa forma, a marginalização da sociedade é natural. Nese sentido, ainda que haja políticas de distribuição de renda, como o Bolsa Família, se mostra inficiente para combater a grande desproporcionalidade per capita no país. Embora seja como ao mundo, no Brasil há um fator que intensifica esse processo, onde há uma grande dificuldade de ascensão social . Temos como prova, que além da alta taxa de analfabetismo, somente 15% da população chega às universidades, sabendo que a educação é o início de uma mudança no panorama social.
      Sabendo disso, os rolezinhos refletem que a população marginalizada sofre com sérios problemas estruturais, como a ausência de ambientes coletivos de lazer. Segundo Oscar Wilde, a insatisfação é o primeiro passo que que haja uma mudança. Nesse sentido foi exatamente o descontentamento que mobilizou grupos de jovens pobres a frequentar lugares antes reservados aos mais abastados. Com isso, percebe-se que há um grande incomodo gerado, com essa presença inédita. Vale salientar, que os estabelecimentos, como os shoppings, não vêem nos jovens um mercado consumidor, logo desprezam  e discriminam sua representação. Instituindo assim, a manutenção da antiga segregação.
      Infere-se, portanto, que a desigualdade econômica entre a população revela muito que ainda temos muitas barreiras para superar, de modo que os rolezinhos não representem uma ameaça e sim uma demonstração da homogeneidade social, onde todos habitam juntos e com igualdade os mesmos lugares. Cabe, portanto, ao governo criar uma nova política de distribuição de renda, com intuito de minimizar essas desigualdades. Nesse sentido, os jovens que tiverem melhores desempenhos nas escolas, devem receber um incentivo monetário. Dessa forma, os jovens se tornarão economicamente ativos, sendo população atrativa para os estabelecimentos, bem como investir no futuro educacional.