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    Os principais aspectos dos “rolezinhos” mencionados por aquele que posicionam-se de modo contrário a eles são os casos de tumulto e vandalismo protagonizados por grupos marginais infiltrados aos participantes. Contudo, a real problemática que o fenômeno levanta é o grande estranhamento, por parte das classes média e alta, com a presença do pobre e do negro nos Shopping Centers.
          Esse estranhamento evidencia o alto nível de preconceito social que é realidade no nosso país. É fato, conforme noticiado muitas vezes de modo sensacionalista na grande mídia, que tumultos e arrastões ocorreram e geraram sensação de insegurança. No entanto, é absurdo que se defenda, devido a tais ocorrências, a privação do direito de ir e vir dos cidadãos, quaisquer que sejam suas classes.
          Indo além, nota-se que tamanho preconceito se origina de grande alienação e ignorância, pelas quais pobreza e criminalidade são diretamente associadas. Essa discriminação seria amenizada se dados relativos ao real percentual de marginalização nas classes baixas, como os obtidos pelo IBGE, fossem melhor propagados, uma vez que seria divulgado o conhecimento de que a delinquência é, na verdade, exceção entre os mais pobres.
          Portanto, para que os espaços acessíveis ao público sejam democratizados, é preciso que "rolezinhos" continuem a acontecer e que a população pobre frequente, apesar de prejulgamentos, os locais que desejar. Além disso, os responsáveis pela grande mídia devem interromper o incentivo ao preconceito através de sensacionalismos e passar a utilizá-la como um instrumento de propagação de mais tolerância e lucidez, por meio da disseminação de dados como os supracitados e campanhas que incentivem o debate, o diálogo e a boa convivência.