Enviada em: 17/07/2017

Desde a Grécia antiga, com Aristóteles, o educador ocupou posição de prestigio em todas as sociedades do globo. Atualmente, diversos países ainda seguem essa cultura. Em contrapartida, os profissionais brasileiros enfrentam uma enorme desvalorização do seu salário e das suas habilidades. Tal situação é decorrente, dentre outros fatores, da proliferação de faculdades desestruturadas, bem como, do sucateamento do ensino básico. O caminho mais curto para se depreciar uma profissão é saturar o mercado com profissionais despreparados. Segundo dados do Censo da Educação Superior de 2016, entre 2009 e o presente ano, o número de cursos de pedagogia aumentaram em 85%, a mesma fonte revela que metade desses cursos são à distância. Ou seja, há um número muito grande de pedagogos inaptos a ministrar aulas de qualidade, transmitindo a ideia de que o seu trabalho pode ser realizado por qualquer pessoa. Dessa maneira, nota-se que a desvirtuação dos educadores é proporcional ao aumento das faculdades ruins. Ademais, é importante ressaltar a desqualificação do ensino como importante instrumento para a degradação da imagem dos docentes. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mantém um ranking das melhores educações no mundo, no qual o Brasil ocupa a penúltima colocação. Isto é, os professores, a partir destes resultados são tomados como peças inúteis, quando na verdade o problema é fruto da ausência de investimentos estatais em infraestrutura e quadro de funcionários nas escolas. Por todos esses aspectos, é nítido o desprestigio dos educadores como resultado da união entre saturação do mercado e rendimento escolar abaixo da média mundial. Faz-se necessário que o Ministério da Educação adote um sistema de avaliação mais rígido para os cursos de Pedagogia, no qual exija formação especifica dos docentes e infraestrutura mínima da instituição. Além disso, o governo deve aumentar o investimento no setor educacional, gastos com deputados e senadores improdutivos podem ser diminuídos para este fim. Logo, poder-se-á afirmar que o Brasil dispõe dos mecanismos necessários para que seus professores desfrutem do mesmo status usufruído por Aristóteles.