Esporte e cidadania na sociedade brasileira

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    Conhecido mundialmente como o "país do futebol", o Brasil é indubitavelmente um celeiro, que lançou ao mundo grandes craques. No entanto, embora esse esporte seja um poderoso meio de cidadania e ascensão social, os centros esportivos e de lazer são extremamente limitados. Por conseguinte, é imprescindível que haja maior investimento do Poder Público nesse setor.
          Ao longo da história, nota-se a relevância do papel social do esporte. Após a Segunda Guerra Mundial, alguns combatentes mutilados e abalados psicologicamente pelas atrocidades da guerra foram estimulados a se envolver em inúmeras modalidades esportivas. Dessa ideia exitosa, surgiram os jogos paralímpicos, os quais viabilizaram a inclusão social de ex-combatentes e ainda hoje dão visibilidade ao público deficiente. Todavia, quando chegou ao Brasil, o futebol esteve restrito a uma minoria branca e elitizada. Contrariando essa lógica excludente, clubes como o Vasco da Gama se impuseram e contrataram jogadores negros. Com a popularização mundial, os salários dos atletas atingiram patamares exorbitantes, o que fez com que meninos sem perspectivas de vida, oriundos dos morros e periferias, saíssem de uma situação de extrema pobreza, violência e miséria, como o rei Pelé e o atacante Neymar Júnior.
          Apesar de o futebol ser bastante popular, o esporte e suas diversas modalidades ainda são bastante restritos. Dados do Inep apontam que apenas em aproximadamente 30% das escolas públicas do 1.º ao 9.º ano há quadras esportivas, enquanto em quase 60% das instituições privadas existem esse aparato. Trata-se de um fato bastante preocupante, tendo em vista que é na infância e na adolescência que deve haver uma atenção redobrada para a formação da cidadania desses menores. Nesse processo, o esporte sem dúvidas cumpre um papel fundamental, uma vez que estimula o respeito ao adversário, o cumprimento de regras, a competição sadia, a definição de metas, a esperança e o otimismo.
    
            Portanto, diante da relevância do esporte para a consolidação da cidadania, urge um empenho intenso do Poder Público. Assim, cabe ao Ministério da Educação e Cultura destinar recursos não apenas para a construção de quadras de futebol, mas também para a criação de áreas de lazer em escolas, a montagem de centros olímpicos e a aquisição de equipamentos diversificados, de modo que as crianças e jovens possam desenvolver sua inteligência motora e habilidades socioemocionais por meio do futebol, da natação, do judô, entre outros. Outrossim, a União deve firmar parcerias com o setor privado e conceder incentivos fiscais a empresas que fomentarem o esporte e revelarem grandes talentos para o país. Desse modo, o futuro desses jovens será mais digno e menos desigual.