Esporte e cidadania na sociedade brasileira

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    Durante uma partida de futebol, o jogador brasileiro Daniel Alves sofreu discriminação racial, por parte de um torcedor, ao ser jogado nele uma banana. Diante disso, o atleta respondeu de maneira elegante ao comer a fruta. Tal cena se espalhou pela internet, o que gerou comoção e campanhas antirracismo. Assim, nota-se o papel transformador que o esporte possui na sociedade, mas no Brasil não é explorado em toda sua potencialidade, pois vê-se o descaso para com esportes, quando se poderia usá-los para combater problemas como a violência urbana e desigualdade social.
          Em primeira análise, é certo que para um país evoluir é necessário que sua população esteja ciente de seus direitos e utilize da cidadania para buscar o progresso. Todavia, para que isso ocorra, os cidadãos devem estar engajados para que haja uma maior coesão social. Dessa forma, o esporte pode agir como intermédio desse objetivo. Porém, o Estado negligencia tal possibilidade, visto que, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, 73,2% das escolas públicas do ensino fundamental não possuem quadras esportivas. Ademais, há uma ausência de áreas urbanas para a prática de esporte, ainda que tais locais poderiam ter uma função pedagógica, o que atuaria na redução da criminalidade.
          Outrossim, vale ressaltar que o esporte também é uma forma de ascender socialmente. Dessa maneira, jovens, sobretudo de regiões periféricas, veem nele uma saída da pobreza, mas, como não há incentivo suficiente, muitos desistem da vida de atleta e encontram um emprego qualquer para ajudar na renda de casa, isso quando não são forçados a escolher o caminho do crime. Logo, a desigualdade social se perpetua, haja vista que não é de interesse da classe dominante que quem está na base da hierarquia social a alcance, o que exemplifica claramente o conceito de Luta de Classes do filósofo Karl Marx.
    
          Depreende-se, portanto, a necessidade de medidas para mitigar a problemática supracitada. Por isso, é dever do Governo Federal, mediante políticas públicas, a criação de quadras poliesportivas tanto em áreas urbanas quanto em escolas, com ênfase em locais marginalizados, e também de bolsas escolares em universidade para estudantes com bom desempenho esportivo. Desse modo, a população poderá, por meio do esporte, desenvolver uma consciência coletiva e exercer sua cidadania. Assim, a nação brasileira caminhará em direção ao progresso.