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    O filme americano, "A menina de ouro", retrata o cenário de inclusão e ascensão social de uma garota, aparentemente sem condições físicas, mediante o esporte. Não distante da ficção, na conjuntura pós-industrial, tem-se a persistência de impasses que dificultam a plena garantia do esporte como ferramenta de promoção da cidadania no Brasil. Por conseguinte, a anomia social reverbera em prejuízos ao coletivo e, decerto, demanda intervenções a fim de alterar a lastimosa realidade nacional. Nesse sentido, para tal análise, é fulcral considerar os aspectos sociais, bem como o preconceito cultural relacionado ao esporte.
      Em primeiro plano, nota-se a questão social vinculado à prática esportiva. Nesse ínterim, é coerente analisar o conceito de "cidadania substantiva", do sociólogo T.H Marshall, no qual consiste na extensão dos direitos civis, políticos e sociais para a população de uma nação. Dessa forma, apesar do papel crucial do esporte para construção de valores e na resolução de questões nacionais- como a redução da criminalidade-, observa-se a negligência do poder público no que tange à desvalorização da atividade corporal, por meio da falta de estrutura adequada destinada às quadras esportivas nas escolas e a ausência de capacitação dos atletas. Logo, consolida-se a desigualdade social e a ameça à cidadania em decorrência da indiferença governamental quanto ao esporte.
      Outrossim, tem-se o preconceito cultural. Nesse ínterim, segundo levantamento feito pelo jornal "Mackenzie", é presente, na sociedade brasileira, a visão do esporte apenas como lazer, não como carreira, e o foco excessivo no futebol. Com efeito, é perceptível a ausência de investimentos empresariais em outras modalidades esportivas- como o judô- sobretudo nas periferias, e, por consequência, tal panorama dificulta a formação ética dos indivíduos mediante o esporte e seu caráter socializador, fomentando a supervalorização de algumas modalidades em detrimento de outras.
      Dessarte, reafirma-se a necessidade em garantir a plena cidadania pelo esporte. Portanto, as Secretarias Municipais devem promover encontros pedagógicos gratuitos e atividades lúdicas nas escolas, mediante semanas de extensão, nas quais educadores físicos busquem desenvolver a capacitação de jovens atletas, com o fito de desenvolver uma cultura esportiva escolar. Ademais, o Governo Federal deve promover o estímulo fiscal dos esportes nas periferias, por meio do patrocínio com empresas esportivas, as quais forneçam equipamentos necessários para atividades físicas diferentes do futebol, no intuito de evitar o preconceito cultural. Somente assim, os impasses entre o esporte e cidadania ficar-se-ão restritos ao âmbito da ficção.