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    “Não sou nada. Nunca serei nada.” Infelizmente, o poema “Tabacaria”, de Fernando Pessoa, ressoa com a perspectiva de uma significativa parcela dos jovens brasileiros. Isso está associado aos rótulos que a sociedade coloca na população mais vulnerável social e economicamente. No entanto, muitos jovens encontram nos esportes uma saída para remar contra as correntezas do mar do preconceito. Assim, discute-se a necessidade de evocar o papel do esporte para a construção da cidadania e na superação de uma cultura segregacionista.
        A priori, o esporte é uma ferramenta poderosa na luta pela cidadania. Isso é um fato que mostra duas faces de um mesmo problema. Com isso, uma face representa a superação que jovens desfavorecidos social e economicamente encontraram para enfrentar pesados rótulos sociais. Contudo, a outra face desvela o fenômeno da invisibilidade social, de acordo com sociólogo Jessé Souza, uma vez que há uma significativa parcela de jovens que não possuem acesso ao esporte e permanecem, infelizmente, na obscuridade legal, ou seja, sem direitos, sem garantias e sem cuidados. Logo, o esporte é fundamental no auxílio da população mais desfavorecida, sobretudo, para superação de preconceitos. 
        Por outro lado, ocorre a errônea associação entre pobreza e inferioridade. Isso acontece por conta de uma herança cultural, pois, conforme Gilberto Freyre, o sistema escravocrata e homem branco colocava os mais desfavorecidos economicamente em situações “sub-humanas”, desprovidos de direitos, ou seja, aquele que está na pobreza não é "cidadão". Nesse aspecto, o esporte emerge como um modificador de paradigmas culturais, haja vista que, uma significativa parcela da população alcançou reconhecimento com o esporte. Por consequência, é preciso amplificar o potencial transformador do esporte. 
        Torna-se evidente, portanto, que ações sejam efetivadas para que a associação entre esporte e cidadania seja ainda mais poderosa. Em razão disso, a fim de estimular a superação de preconceitos, Ministério do Esporte, em parceria com veículos midiáticos, deve ampliar a visão do esporte como meio de luta pela cidadania, além de instigar a prática de esportes pelos jovens. Isso pode ser feito através de postagens em redes sociais – como Instagram, que possui ampla visibilidade entre jovens - e propagandas em canais abertos – em horários com maior pico de audiência. Em outra frente, o Governo, em parceria com ONGs, deve auxiliar no combate a associação errônea entre pobreza e inferioridade, através de uma maior visibilidade dessa população, podendo utilizar campanhas esportistas, maratonas e campeonatos beneficentes. Desse modo, a perspectiva da maioria dos jovens brasileiros pode ser alterada, destoando dos versos de “Tabacaria”, de Fernando Pessoa.