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    Graciliano Ramos, em Vidas Secas, mostrou a triste realidade do sertão nordestino. Embora o livro tenha sido escrito no século XX, os problemas da seca permanecem até hoje. Nesse sentido, para combater à falta de água da região, adotou-se o projeto de transposição do Rio São Francisco. Embora o projeto tenha a capacidade de beneficiar uma grande quantidade de pessoas, apresenta, também, muitos efeitos negativos, tanto ambientais quanto sociais nas regiões envolvidas. Não há dúvida que a obra traz diversos impactos negativos para o Nordeste.
     A transposição promete segurança hídrica para regiões semiáridas do sertão nordestino, principalmente para os estados de Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba, auxiliando cidades desses estados de diferentes maneiras. Posto que esses territórios não possuem rios perenes, os canais artificiais favorecem o aumento de alimentos, além de contribuírem com a queda da mortandade dos rebanhos, que constantemente perecem devido à seca. Aliado a isso, a chegada da água é benéfica para a saúde da população, uma vez que é de qualidade superior as existentes nas bacias locais. Nesse sentido, percebe-se que o projeto tem potencial para auxiliar diretamente a produtividade e a vida no campo.
      Por outro lado, é inegável o fato de que a obra pode desencadear uma série de problemas. Alguns dos canais artificiais, que fazem parte do projeto, ficam a quilômetros de distância das casas, o que favorece os grandes latifundiários do agronegócio e torna inviável a sua utilização por parte da população mais carente, e que mais precisa da água. Paralelo a isso, estão os impactos ambientais que podem ocorrer nos ecossistemas afetados, dentre eles a salinização dos afluentes do rio, perda da fauna e da flora, assim como a introdução de espécies exóticas, como escorpiões e outros insetos prejudiciais para as pessoas que residem nas cidades que receberão as águas do Velho Chico. Nesse viés, depreende-se que a iniciativa em questão possui mais pontos negativos do que positivos, quando colocados em discussão.
     Faz-se necessária a adoção de medidas com vistas a mitigar as consequências nocivas da transposição do Rio São Francisco. Para tanto, é imperativo que o governo federal crie um programa com grupos de assistentes sociais e da saúde para que esses visitem de modo periódico as famílias que moram no entorno de onde ocorrem as obras, com o intuito de oferecer segurança a essa parcela da população. É preciso, ainda, que biólogos e geógrafos de ONG´s e empresas privadas do ramo ambiental visitem esses espaços com o objetivo de analisarem os efeitos decorrentes da obra, a fim de desenvolverem meios de atenuá-los.