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    Transposição do Rio São Francisco - solução ou problema?
            A transposição do Rio São Francisco pretende resolver o problema da seca no Nordeste do Brasil, que obriga a população do semiárido a viver com menos da metade de quantidade de água por habitante preconizada pela ONU. No entanto, após a inauguração do eixo leste, em março de 2017, ainda sobram dúvidas quanto aos benefícios dessa obra.
           Um aspecto observado pelo geógrafo Aziz Nacib Ab'Sáber, professor emérito da USP, é quanto ao tamanho da área beneficiada pela transposição do Rio. O governo federal prevê uma área de 750.000 km² abrangendo 390 municípios nos Estados de Pernambuco, Ceará , Paraíba e Rio Grande do Norte. No entanto, em conjunto a extensão linear dos canais  dos eixos leste e  norte não chega a atingir 500 km. A distribuição da água  levada pelos canais depende de obras complementares, adutoras e ramais, que estão sob a responsabilidades dos Estados. Estes, por sua vez, alegam falta de recursos financeiros para executá-las.
            Outro aspecto diz respeito ao impacto ambiental no Rio São Francisco. O governo federal prometeu revitalizá-lo através da proteção e controle das nascentes, de obras de saneamento e do fortalecimento da fiscalização ambiental. Mas, até agora essas obras não saíram do papel e o que se observa é que o Rio apresenta áreas de assoreamento devido ao desmatamento próximo às suas margens, causado pela exploração agropecuária, e poluição decorrente da mineração e do lançamento de esgotos nas suas águas. 
            Com um custo aproximado de 10 bilhões de reais a transposição do Rio São Francisco ainda não comprovou que trará mais benefícios que prejuízos. Faltam obras de infraestrutura para garantir a capilaridade da rede de água e são necessárias medidas urgentes para garantir a sobrevivência do Rio São Francisco. A sociedade civil e instituições como o Ministério Publico devem se imbuir na fiscalização desse empreendimento.