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    O velho Chico 
      A transposição é o ato de efeito de transpor; quando aplicada no contexto geográfico significa que a água em abundância de um local será deslocada para outro no qual haja déficit. Desde a Antiguidade este tipo de obra é feito, sendo a transposição na China considerada a maior deste tipo. Embora aumente a segurança hídrica, a produtividade rural e gere mais empregos na região, os impactos sociais e ambientais se sobrepõem aos fatores positivos desse tipo de construção. 
      É indubitável que a questão ambiental e sua aplicação estejam entre as causas do problema. Para Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado. Analogamente, percebe-se que nessa grande transposição do São Francisco, a política e a demanda por mão de obra aumentam, crescendo a oferta de empregos, mas rompendo a harmonia, haja vista que, os danos à natureza, o desmatamento, a extinção da fauna e da flora, principalmente a hídrica, e a redução da biodiversidade representam brechas que causam o impacto negativo. Desse modo, evidencia a importância da pratica de uma regulamentação mais rígida como forma de combate à problemática. 
      Outrossim, destaca-se a ambição de diversas empresas na captação de recursos que terão ao transpor o Velho Chico, como impulsionador dos efeitos negativos. Segundo Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de uma sociedade agir e pensar. Nesse contexto, a preocupação maior de obter lucro acima da condição social e habitacional das pessoas, características das corporações, se encaixa na teoria do sociólogo uma vez que muitos habitantes locais são obrigados a se mudar e ainda correm o risco de ter espécies invasoras em suas residências devido ao desmatamento, e que representam perigo à saúde. Assim, o fortalecimento desse tipo de ação, propagado entre as grandes companhias, funciona como forte agravante do problema no Brasil. 
      Entende-se, portanto, que os impactos negativos frente à transposição do rio São Francisco, e a postura das empresas diante disso marcam um intenso fato social. Para atenuar o problema, é preciso que o Governo Federal em parceria com as construtoras da obra e com o Ministério do Meio Ambiente encontre novas alternativas para a segurança hídrica sem tantos impactos socioambientais, com mais leis protetivas à natureza, além de aplicar campanhas de abrangência nacional junto às emissoras de televisão informando sobre o Velho Chico e sua importância e estimulando a população a encontrar diferentes alternativas sustentáveis. Dessa forma, com base no equilíbrio proposto por Aristóteles, esse fato social será gradativamente minimizado.