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    A transposição de rios surgiu na idade antiga como forma de fornecer água as regiões desprovidas desse recurso. A prática foi vista de maneira mais intensa entre Egípcios, impulsionando o crescimento e a economia da região. Com o mesmo intuito, é discutido no Brasil uma transposição do rio São Francisco, localizado em Pernambuco, ao interior do Nordeste gerando, assim, tanto impactos ecológicos, quanto impactos sociais, a região afetada pela obra.
                Com a transposição do rio, o desmatamento da região afetada é inevitável, visto que seja necessária a ocupação de extensos hectares de terra para o andamento do projeto, intensificando, com isso, processos erosivos já vistos no Nordeste, como a desertificação. Outrossim, a prática também afeta a fauna do espaço brasileiro. A interação entre ecossistemas distintos – Pernambuco e Ceará – favorece a introdução de espécies exóticas nas teias alimentares já existentes, causando o aumento de algumas espécies e a diminuição de outras, facilitando a proliferação de pragas e, consequentemente, desestabilizando tanto o espaço aquático, quanto terrestre. 
                     Impactos regionais também são uma consequência direta da transposição do São Francisco. O estabelecimento hídrico na região atrai um fluxo migratório e industrial, afetando tanto a economia, diminuindo as ofertas de emprego a população nativa, quanto a expectativa de vida na região, por meio da linha tênue entre industrialização e poluição. Por meio desse viés, comunidades atingidas pela obra se reuniram, em Pernambuco, a fim de debater as consequências da obra. Segundo André Monteiro, do departamento de saúde coletiva da Fio Cruz, foi analisado, no encontro, os impactos da obra não só na saúde coletiva, mas também na cultura da região afetada, e foi encontrado uma série de problemas.
             Evidencia-se, portanto, que a transposição do São Francisco no Brasil introduz não só problemáticas ao ecossistema do rio, mas também à cultura nordestina. É indispensável que, seja criado políticas de proteção ao São Francisco, por meio de leis elaboradas através da consonância judiciária, a fim de manter o equilíbrio no ecossistema aquático. Além disso, implantar o transporte de água, proveniente dos reservatórios e das cantareiras de cidades banhadas por água doce, para as regiões necessitadas, por meio da construção de dutos aquáticos, com o intuito de minimizar problemáticas ambientais e garantir uma distribuição isonômica de água entre as regiões afetadas sem interferir em sua identidade cultural.