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    Relativo à transposição do rio São Francisco, é possível destacar tanto aspectos positivos quanto negativos. Se por um lado, a segurança hídrica para a região semiárida brasileira é, sem dúvida, o maior dos proveitos; por outro, uma desse porte induz uma série de novas interações e impactos ambientais. 
      A ideia de transposição é muito antiga e começou a ser discutida em 1847 por intelectuais do Império Brasileiro. Hoje, com obras iniciadas em 2007 o atual modelo tem como objetivo desviar de 1% a 3% das águas do Velho Chico para abastecimento de rios e açudes em tempos de estiagem.
      No que se refere aos benefícios, pode-se perceber que o aumento do abastecimento das áreas secas culminaria na elevação da produção de alimentos, queda da mortalidade dos rebanhos e,portanto, favoreceria diretamente a produtividade e vida no campo. O impacto também se estenderia à saúde dos moradores da região que teriam acesso a uma água de melhor qualidade.
      Entretanto, grande parte das críticas referem-se aos impactos que a alteração traria para o ecossistema da região ao intervir no habitat natural de muitas espécies. Há também a possibilidade de salinização e erosão dos rios receptores. Outro aspecto a ser considerado é que a transposição serviria para expandir as fronteiras do agronegócio beneficiando sobretudo latifundiários, pois grande parte dos canais passam por fazendas.
      Dessa forma, outras alternativas eficazes e baratas poderiam ter sido tomadas por parte do governo para evitar toda essa alteração no curso natural do rio, como o aumento na construção dos poços profundos e cisternas para a captação de água da chuva. Além disso, promover uma irrigação por gotejamento inspirados nas técnicas usadas em Israel, um país em pleno deserto, aliado a propagandas veiculadas na mídia que incentivem não só a sociedade, mas principalmente os setores da agricultura e indústria a economizar este bem tão precioso como é a água.