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    Um sonho de Canudos
       A comunidade criada por Antônio Conselheiro durante a Primeira República comprova a persistência de um problema no sertão brasileiro: a seca. Esse transtorno, no entanto, após ter provocado grandes perdas ao homem e à natureza, pode ter solução com a transposição do Rio São Francisco, mas isso acarreta em tantas consequências, que seu custo-benefício é posto em dúvida. 
       Dessas implicações, o potencial de extinção da biodiversidade merece destaque. Sabe-se que o desmatamento causado pelas obras destrói a fauna e a flora da região, acentuando a desertificação no local. Mas além disso, as barragens impedem a migração dos peixes para áreas de piracema, o que diminui o número destes na bacia e afeta diretamente a população que depende da pesca. 
       Apesar disso, a melhora no abastecimento de água pode trazer grandes vantagens para à sociedade. Além de extinguir os inconvenientes da seca, ela possibilitará a democratização do saneamento básico, diminuindo a proliferação de doenças. Ademais, promove empregabilidade com a construção do projeto e com a irrigação das propriedades rurais, aumentando a economia regional e, consequentemente, o PIB brasileiro. 
       Portanto, o deslocamento das águas do São Francisco é um fator positivo para a sociedade mas nem tanto para a natureza. Para resolver isso, o Ministério da Integração Nacional, com a criação de programas compensatórios, deve preservar a biodiversidade através do reflorestamento e do desenvolvimento de unidades de reprodução de peixes, mantendo constante a concentração destes e a alimentação das famílias. Desse modo, é possível esperar que o sonho daquela comunidade nordestina do século XIX se torne realidade.