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    A transposição de rios é um técnica usada desde a Antiguidade e baseia-se na alteração dos cursos naturais das águas para suprir a necessidade de uma área. No Brasil, a ideia de transposição do rio São Francisco é antiga: começou a ser discutida em 1847 por intelectuais do Império brasileiro de Dom Pedro II. Se por um lado a discussão sobre a resolução da seca é extensa e pertinente, por outro - devido aos seus impactos negativos - a atual obra não representa a maneira mais eficaz de garantir o fornecimento às regiões semiáridas. 
    Sabe-se que uma obra desse porte acarreta grandes mudanças ambientais. Dentre os impactos mais significativos, pode-se citar a salinização e erosão - processo de degradação do solo e das águas - dos rios intermitentes (que desaparecem no período de seca). Isso ocorre devido ao contingente de água repassada, já que nem sempre esses rios tem a capacidade de receber o volume destinado. Essa sobrecarga pode ameaçar a sobrevivência da transposição, uma vez que poderia culminar na ruptura das margens dos rios receptores.
    Além disso, o projeto serve para expandir as fronteiras do agronegócio, beneficiando, sobretudo, latifundiários. Essa segregação acontece pois a maior parte dos trechos passa por grandes fazendas. E, levando-se em consideração que o uso comercial da água garante mais retorno, a situação de discrepância no acesso não deve mudar. Pequenas localidades, em situações críticas, podem continuar sofrendo com a seca. Já que têm pouco dinheiro e poder político. Nesse prisma, a obra não garanti a democratização do acesso à água.
    Dessa forma, diante da fragilidade e da falha na distribuição, a transposição do rio São Francisco não é a melhor opção para combater a seca. Porém, com as obras já concluídas, caberia ao Ministério de Integração Nacional garantir que uma porcentagem pré estabelecida do faturamento nordestino com agricultura seja destinada a obras populares para equiparar o acesso à água. Estratégias como a construção de poços para captação no lençol freático e reservatórios para coleta de água pluvial fariam parte desse pacote de medidas. Concomitantemente, criar um espaço permanente de debates que vise atenuar os possíveis danos ambientais, e investir em estudos que gerem medidas paliativas aos já causados. Todas essas ações serviriam para que os impactos negativos dessa obra colossal e cara não suprimisse o seu propósito: levar água as vidas secas retratadas por Graciliano Ramos.