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    As mazelas do sertão nordestino, muito retratadas nos contos de autores modernistas da chamada 2ª geração, se arrastam até os dias atuais. A princípio, a notícia sobre a transposição do rio São Francisco traduziu-se na esperança de que a seca, a fome, a pobreza e o sentimento de rejeição por parte do governo teriam fim. No entanto, a inauguração - demorada - das obras traz questionamentos acerca dos seus benefícios, os quais parecem duvidosos a sertanejos e especialistas. Assim, é preciso analisar quais obstáculos ainda são necessários vencer para que a água chegue a todos.
         Em primeiro lugar, a finalização das obras não sanou o antigo problema da falta d'água na região. Além de ter sido prolongada por dez anos, a vazão do canal equivale a 700 metros cúbicos, correspondendo a apenas 1/3 do prometido, segundo uma reportagem da Folha de São Paulo.  Também existem trechos ainda não concluídos, a espera de licitações ou em decorrência do abandono das empresas responsáveis por estarem envolvidas em escândalos de corrupção. Para agravar a situação, ainda não há uma estrutura planejada para abranger famílias mais distantes do local da transposição, tornando esse atendimento limitado e seleto. 
           Outra questão está relacionada ao meio ambiente, o qual vem sofrendo gradualmente com ações humanas inconsequentes. A ganância desenfreada do homem pelo dinheiro pode ser percebida a partir da depredação dos serrados baiano e mineiro em razão do avanço da monocultura e do desmatamento causado pela siderurgia. Consequentemente, a retirada das matas ciliares possibilita o assoreamento dos rios, tornando menor o nível das águas da bacia São Francisco. Embora esse seja o fator principal, a transposição pode acentuar os danos, fragilizando ainda mais o "Velho Chico".