Intolerância e discurso de ódio contra minorias

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    Destoante da realidade ideal, existe no mundo contemporâneo um gravíssimo problema no que tange o desrespeito generalizado contra minorias, que leva à intolerância e consequentemente a diversos conflitos. Nesse sentido, no Brasil, esse cenário de desafeto tem feito parte da realidade cotidiana de muitos indivíduos em função, e aí está o fulcro da questão, da incapacidade do ser, em grande medida, de aceitar posicionamentos distintos dos seus. Assim sendo, cria-se um preocupante contexto, no qual o discurso de ódio torna-se inevitável e o ambiente caótico e hostil, em um processo que fere os princípios basilares de uma democracia saudável.
         Nessa perspectiva, o desenvolvimento de um panorama cívico polarizado tende a crescer e a perpetuar-se ao longo dos anos, favorecendo, pois, o subjugo de algumas classes minoritárias, seja de aspecto religioso, ideológico ou identitário. Quanto a isso, Milan Kundera, escritor romancista, em seu livro A Insustentável Leveza do Ser, diz que "o extremismo delimita a fronteira além da qual a vida acaba" e, de fato, esse é um dos principais problemas que levam a sociedade a crises comportamentais de intolerância, principalmente ao se tratar de minorias. Por isso, percebe-se que essa é uma questão atrelada diretamente a uma característica inata ao ser humano que, contudo, pode perfeitamente bem ser trabalhada em prol de sua melhoria a fim de se alcançar uma sociedade ideal.
         Além disso, como próprio efeito colateral da democracia, opiniões que se situam contingentemente em menor número tendem a ter suas vozes menos ouvidas e, desse modo, seus anseios e reivindicações são, por vezes, negligenciados, tanto pelo estado quanto pela sociedade. Entretanto, segundo os parâmetros da própria Constituição Federal de 1988, concernentes aos princípios isonômicos, de acordo com o qual todos os indivíduos de uma sociedade têm o direito de ser tratado igualitariamente, em conformidade com sua própria singularidade, esses grupos tem a liberdade de pensar e agir da maneira que lhes parecer mais convenientes. Nessa lógica, esse é outro ponto do problema já que a maioria não compreende muito bem o conceito de livre arbítrio e nem de alteridade.
         Destarte, a intolerância e o discurso de ódio para com as minorias são um problema real para o qual medidas devem ser pensadas se se quiser mitigá-lo. Para isso, o Estado, na figura do Ministério da Educação, deve incentivar nas escolas o desenvolvimento de uma maturidade cívica do indivíduo a partir da inclusão na grade curricular, desde o ensino fundamental, do ensino das cláusulas pétreas constitucionais, com a finalidade de retirar as próximas gerações da ignorância absoluta -- égide sob a qual muitas pessoas se protegem-- e instigá-las ao comportamento altruísta, a partir do qual o respeito mútuo será valorizado e perpetuado como forma de fuga do extremismo.