Intolerância e discurso de ódio contra minorias

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    A obra cinematográfica ''Infiltrado na Klan'', dirigida por Spike Lee, narra a história de um policial negro que consegue se infiltrar na Ku Klux Klan e investigar tal grupo neonazista. A trama, ambientada nos Estados Unidos, no ano de 1978, apresenta, de maneira análoga, um cenário semelhante de intolerância e discurso de ódio que persiste na sociedade brasileira devido ao preconceito enraizado historicamente e à negligencia estatal diante da questão .
       Inicialmente, vale ressaltar que o filósofo iluminista Voltaire propôs em seu livro ''Tratado sobre a Tolerância'' que a sociedade deve viver em paz, e mostrou que é possível um mundo diverso viver em harmonia com a igualdade. Entretanto, a realidade brasileira apresenta desvios quanto a esse livro, uma vez que, herdada de forma histórica e fixada na cultura de massa desde o período colonial, quando se inferiorizavam grupos étnicos por serem diferentes do ideal europeu, a intolerância é vista de uma forma banal pelos indivíduos, o que faz com que o racismo, machismo, homofobia, dentre outras manifestações de discurso de ódio, se tornem parte do cotidiano do brasileiro.
       Ademais, a Constituição Federal de 1988 garante a isonomia entre os cidadãos e propõe uma harmonia social. Todavia, é notável a falha do Estado diante do exposto, haja vista o descaso do Estado com a negligência que é criada para aplicar e executar leis de proteção às minorias, o que gera um cenário de impunidade aos agressores e a persistência da problemática. Outrossim, percebe-se um desconhecimento em relação aos direitos por parte das vítimas por falta de acesso e consciência, o que facilita a ocorrência de mais casos de intolerância.      
         Em suma, compreende-se que o problema da intolerância e do discurso de ódio, hoje, no Brasil está, intrinsecamente, ligado ao preconceito fixo na sociedade e à ineficiência estatal. Urge, portanto, que ONGs criem campanhas conscientizadoras para a população brasileira, de maneira que atente os indivíduos às diferenças existentes no país e sobre os direitos constitucionais que cada cidadão possui, para que possa ocorrer uma diminuição da ocorrência de casos de intolerância. Também, o Estado deve se atentar ao problema e se preocupar em punir os agressores como prega a Constituição Federal, de forma que a máxima de Karl Marx que dizia que até então os filósofos buscaram formas de compreender o mundo, cabe agora mudá-lo, seja alcançada.