Intolerância e discurso de ódio contra minorias

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    Disparos verbais
    O histórico processo de colonização brasileira, somado aos fluxos migratórios de japoneses, franceses, espanhóis e outras nacionalidades no início do século XIX tiveram como resultado a notável diversidade sociocultural do país. No entanto, na sociedade contemporânea as diferenças dessas e outras minorias - LGBT, transsexuais etc - não são respeitadas, sendo alvo de constantes ataques por grupos que usam a palavra como principal arma, o que gera problemas sociais e políticos
     Em um primeiro momento, é necessário destacar a liberdade de expressão como influenciadora desse processo. Tal direito incontestável garante a livre manifestação da opinião. No entanto, existe uma relação dicotômica acima desse princípio, uma vez que ele pode "mascarar" a disseminação de falas preconceituosas e discursos de ódio. Assim como é visto em pesquisas de 2016 do grupo Comunica Que Muda, 86% dos casos em que houve um discurso de ódio a justificativa apresentada foi o direito à liberdade de expressão. Dessa forma, vale a máxima do poeta John Mills que diz que acima da liberdade da expressão deve estar a consciência.
    Ademais, é válido apontar que as minorias são marginalizadas por nesse processo. É evidente que na sociedade brasileira tais grupos são menosprezados e inferiorizados pelos discursos de ódio que ferem a dignidade desses indivíduos, o que gera o afastamento social, repressao de direitos e a uma não identificação social. Por conseguinte, se tem uma desorganização social e a formação de um sociedade não coesa e que portanto perde o reconhecimento no outro como um membro da pátria. Dessa forma, deve-se buscar a volta do conceito de isonomia grega, no qual as minorias sejam iguais a todos cidadãos.
     Portanto, diante de uma sociedade armada com palavras e que dispara sem medo, é evidente a repressão das minorias pelos discursos de ódio. Assim, para que se resolva essa problemática é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com grupos midiáticos, crie e financie programas, novelas e palestras que abordem uma reflexão sobre o respeito às minorias e o conceito de liberdade de expressão para que se compreenda os riscos desse processo. Além disso, cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações a criação de um "website" para que se denuncie anonimamento os cidadãos que disseminarem discursos de ódio. Desse modo, por meio da educação e outros meios - assim como dito por Paulo Freire - se construirá uma sociedade que respeite as diferenças e seja coesa em sua totalidade.