Lixo e cidadania: “Pensar globalmente, agir localmente”.

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    De acordo com o Departamento de Direitos Humanos e Cidadania, ser cidadão está relacionado à participação ativa nos problemas da comunidade. Nesse contexto, a questão do lixo carece de atenção por parte dos indivíduos da sociedade haja vista que tem se apresentado como um revés no meio social urbano, exigindo a criação de políticas socioambientais sustentáveis e eficazes. Desse modo, identificam-se aspectos relevantes de ordem política e individual na discussão de tal problemática. 
        Por certo, as autoridades políticas têm falhado na criação de meios para amenizar os impactos do crescimento demográfico e do consumo no Brasil. Sobre isso, Luiz Roberto Gravina Pladevall, vice-presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental, defende uma mudança de postura no que tange ao descarte do lixo nos grandes centros urbanos, além da importância de o poder público investir na criação de aterros sanitários ecologicamente corretos. Destarte, ainda que políticas como dos 3 R’s – reduzir, reutilizar e reciclar – façam parte da pasta governamental, é preciso ampliar seu alcance no ideário da população, além de realizar investimentos para sua eficácia. 
        Outrossim, os cidadãos – indivíduos sujeitos a direitos e deveres –, muitas vezes, não realizam a separação do lixo doméstico, dificultando, assim, o trabalho de cooperativas de catadores e agravando a situação de lixões. Nesse sentido, o sociólogo Max Weber defende que a ação é algo orientada ao homem. Logo, a mudança de hábitos ambientalmente negativos é imprescindível, tanto na formação de um espaço urbano ecologicamente saudável, como na construção de ações verdadeiramente cidadãs.
         Depreende-se, portanto, a necessidade de se criar medidas visando amenizar os impactos causados pelo lixo no Brasil. Para tanto, o Ministério do Meio Ambiente deve, por meio de programas de recompensa a pessoas e empresas e distribuição kits de compostagem doméstica, estimular a criação de hábitos ecológicos na sociedade em geral, como a reciclagem e o consumo consciente, a fim de cooperar na construção de uma comunidade pautada na cidadania. Além disso, escolas e famílias precisam desenvolver, em conjunto, ações locais que atenuem a geração de resíduos sólidos do espaço em que vivem, através de palestras de especialistas e feiras sustentáveis apoiadas pelas prefeituras municipais. Espera-se, com isso, um Brasil mais cidadão e melhor preparado para lidar com as questões do lixo.