Lixo e cidadania: “Pensar globalmente, agir localmente”.

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    No século XVII, a Revolução Industrial garantiu a instauração da maquinofatura como modo de produção e isso propiciou um aumento significativo da produtividade e, consequentemente, do estímulo ao consumo. No Brasil hodierno, perdura tais características que promovem o aumento da produção de lixo e, aliado a essa realidade, observa-se a necessidade de uma articulação entre sociedade e Estado para reduzir os impactos globais oriundos desse contexto, por meio de ações locais. Dessa forma, a falta de planejamento estatal e o consumismo exacerbado estão diretamente relacionados à problemática.
          Em primeira análise, destaca-se que os governantes brasileiros não promoveram adaptações estruturais para atender ao aumento da geração de detritos, que é uma das consequências do crescimento populacional. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, quase metade dos resíduos produzidos são acondicionados em locais inadequados, como terrenos abandonados, devido à carência de áreas destinadas a esse fim, e isso gera problemas ambientais, como a contaminação dos níveis freáticos. Portanto, é evidente que a negligência do Governo Federal é um obstáculo para que os cidadãos combatam a problemática.
          Ademais, ressalta-se que o consumismo exacerbado está diretamente relacionado ao problema do lixo no Brasil, pois a constante troca de produtos gera uma grande massa de matéria inutilizada. Esse hábito é uma herança do Mundo Ideal de Platão, que possui como base a constante idealização, e essa característica da sociedade brasileira faz com que o valor de um produto acabe após a sua obtenção e o desejo seja redirecionado a outro objetivo. Desse modo, se não houver um reaproveitamento eficiente desses resíduos, os recursos naturais não serão repostos pela natureza no mesmo ritmo em que são extraídos para atender à demanda do mercado, o que ocasionará em uma escassez global.
          Urge, portanto, que ações sejam realizadas com o fito de mitigar os impactos globais causados pelo aumento da produção de lixo. Mormente, as prefeituras, munidas de recursos do Governo Federal, devem garantir que os detritos sejam depositados em locais adequados, por meio de uma conformação dos lixões em aterros e da disponibilização de novas áreas para o acondicionamento de matéria inutilizada. Dessa maneira, será possível garantir que os descartes causem menos impactos ambientais e sejam realizados de forma correta. Concomitantemente, os veículos de comunicação em massa, influenciadores de tendências sociais, devem difundir ideais sustentáveis, por intermédio de uma abordagem mais ampla da relação entre consumismo exacerbado e geração de resíduos com suas respectivas consequências ambientais, e assim, combater a deterioração da natureza.