Lixo e cidadania: “Pensar globalmente, agir localmente”.

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    Na contemporaneidade, com o desenvolvimento das maquinofaturas, foram introduzidos diversos produtos industrializados no cotidiano social. No Brasil, paralelamente a esse processo, surgiram também problemas vinculados à superprodução de lixo. Tal entrave tem como causa o consumo exacerbado de produtos não recicláveis pela população e à inoperância da máquina estatal na captação e destinação desses resíduos. 
           Em primeira análise, é necessário salientar que a ineficiência do poder público no que tange ao recolhimento e destinação do lixo no país é um dos principais intensificadores da problemática. Esse aspecto, comprovado pelo surgimento de serviços privados de captação de resíduos domiciliares e de lixões clandestinos, é ocasionado pela falta de fiscalização das instituições locais responsáveis por essas funções. Desse modo, o acondicionamento inadequado do lixo acentua o surgimento de problemas ambientais e de saúde, tais como a contaminação do lençol freático por resíduos líquidos e a proliferação de vetores de doenças. 
           Ademais, de modo análogo ao conceito de solidariedade mecânica do sociólogo Émile Durkheim, entende-se que o meio coletivo é interdependente e os indivíduos devem se comprometer com suas funções de cidadãos para a manutenção social. Nessa conjuntura, o consumo excessivo de produtos não recicláveis pelos brasileiros, aliado à negligência ao descartar seus resíduos, também corrobora a persistência do problema do lixo no país. Nesse ínterim, ações comumente observadas, principalmente nas grandes cidades, como a utilização de sacolas plásticas em detrimento das sacolas reutilizáveis e o descarte de resíduos nas ruas, acentuam as dificuldades para a superação do entrave. 
          Urge, portanto, que ações sejam realizadas para retificar o problema do lixo no Brasil. Mormente, compete às prefeituras municipais direcionar fiscais às empresas prestadoras dos serviços de coleta e acondicionamento de resíduos, de modo a regulamentar a periodicidade da captação e assegurar o despejo adequado desses materiais. Concomitantemente, cabe à população — munida da responsabilidade de principal agente social — optar pelo consumo de produtos biodegradáveis, reciclando-os sempre que possível, e extinguir a prática de emissão de lixo em locais inapropriados. Dessa maneira, talvez seja possível superar o problema do lixo país.