Lixo e cidadania: “Pensar globalmente, agir localmente”.

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    A produção descontrolado do lixo constrói-se historicamente por motivações da Revolução Industrial a partir do século XVIII, que incentivou e proporcionou um consumo em massa. Contemporaneamente, essa problemática ainda materializa-se, decorrente de um consumismo exacerbado associado a uma falta de ambientes adequados para deposição dos resíduos sólidos, provocando assim problemas tanto sociais como ambientais. 
        Em uma primeira análise, sob a ótica capitalista, o estímulo ao consumo é um fator primordial no aumento da produção de lixo, visto que os produtos passam a ter um determinado tempo de vida útil, a chamada "obsolência programada", para serem rapidamente descartados. Dessa maneira, a sociedade é influenciada a consumir cada vez mais, muitas vezes não por necessidade e sim para satisfazer as vontades supérfluas de ter algo novo. Essa realidade possui íntima relação com o conceito de "fetiche da mercadoria" estabelecida por Karl Marx, na obra "O Capital", na qual a felicidade seria encontrada a partir da compra de um produto, materializando essa reflexão cotidiana no país. Por isso, o lixo está diretamente relacionado à cidadania.
         Outrossim, o descarte inadequado, a céu aberto por exemplo, constitui uma grande problemática, haja vista que aumenta a proliferação de roedores, insetos e outros animais que transmitem doenças à população. Além disso, o chorume, liquido poluente produzido, é prejudicial para o meio ambiente, contaminando os lençóis freáticos e o solo. Segundo dados da Associação Brasileira Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, a quantidade de lixo produzido no Brasil em 2015 foi de 79,9 milhões de toneladas e boa parte do mesmo foi descartado em locais impróprios, sendo, portanto, um problema tanto na saúde social quanto no âmbito ambiental.
        Dessa forma, faz-se necessário que medidas mitigadoras sejam providenciadas. É preciso que o Governo juntamente com a mídia promovam campanhas de incentivo à reutilização e reciclagem do lixo, com comerciais e programas na televisão que possam ensinar tal pática à população, de modo a conscientizar e reduzir o consumo exacerbado. Bem como, que seja realizado projetos públicos para a coleta e armazenagem adequada do lixo, com investimento em aterros sanitários e a prática de compostagem, por exemplo, a fim de descartar esses resíduos em locais apropriados e minimizar os problemas ambientais e sociais. Dessa forma, construir-se-á uma sociedade ética e engajada nas questões de sustentabilidade do meio em que vivem.