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    Desde o século XVIII, com a Revolução Industrial, as empresas iniciaram uma produção em massa e a sociedade foi inserida num contexto em que o consumo exacerbado levaria à felicidade. Contemporaneamente, as mazelas do capitalismo são sentidas em todo o mundo, visto que o lixo produzido ao longo dos anos tem destruído o planeta. Isso se deve, principalmente, à ineficiência do tratamento desses resíduos e à relação de poder do homem com a natureza.
           Em uma primeira análise, a interpretação analítica do filósofo alemão Karl Marx afirma que o sistema capitalista priorizaria o lucro em detrimento de valores. Indubitavelmente, a realidade enfrentada no Brasil, no que se refere à destinação e tratamento do lixo, se adequa às ideias defendidas por Marx. Isso porque, num dos países que mais é afetado pelo ciclo da obsolescência programada  -período determinado de duração dos eletrônicos, estipulado pelas empresas-, não há um local especializado no tratamento do lixo tecnológico, trazendo consequências diretas àqueles que vivem nas proximidades dos lixões a céu aberto. Dessa forma, esse resíduo não é aproveitado, enquanto dados da empresa italiana Geodis Logistics de reciclagem afirmam que 98% do ouro e da prata empregados nos eletrônicos poderiam ser reutilizados.
           Outrossim, sob a ótica política, o pensamento egoísta da sociedade em relação aos danos causados pelo lixo produzido trazem uma necessidade de conscientização. Essa conjuntura social se deve ao imediatismo implantado no Brasil, como no desastre de Mariana, em 2015, quando a barragem da Samarco foi rompida e, só após as consequências, o ser humano teve mensuração das condições ali  pré estabelecidas. Nessa perspectiva, todos os dias ecossistemas são transformados, rios assoreados e solos contaminados pelo lixo incorretamente destinado, o que infere na imprescindibilidade de um controle estatal.
                Urge, portanto, que medidas sejam implementadas para mitigar a problemática do lixo no Brasil. A fim de construir uma sociedade pautada em cidadania e dignidade, o Poder Executivo Federal, em conjunto aos Governos Estaduais e Municipais, deve promover o correto cuidado com o lixo tecnológico. Essas ações de estatais devem ser realizadas por meio de investimento estrutural e logístico no tratamento dos eletrônicos, aproveitando os metais de maior valor agregado e objetivando a menor poluição e reutilização desses itens. Concomitantemente, a mídia deve elaborar campanhas publicitárias de conscientização populacional acerca da importância do consumo consciente e da preservação do meio ambiente, para que por meio da cooperação de todos os indivíduos seja possível um país em que a correta destinação e tratamento do lixo seja uma realidade.