Lixo e cidadania: “Pensar globalmente, agir localmente”.

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    Ao refugiar-se no Brasil em meados do século XX, o escritor austríaco Stefan Zweig, fascinado pelo potencial da nação, escreveu um livro ufanista cujo título é até hoje repetido: "Brasil, país do futuro". No entanto, quando se observa a deficiência a geração desenfreada de lixo no Brasil, hodiernamente, verifica-se que essa profecia é constatada na teoria e não desejavelmente na prática. Nesse sentido, torna-se evidente o menoscabo governamental e o pensamento individualista da população, bem como a necessidade de uma ação conjunta do governo com a sociedade para solucionar o impasse.
      Mormente, é indubitável que a questão constitucional e sua ineficiência estejam entre as causas do problema. Isso ocorre porque, no país, o gerenciamento do lixo é péssimo, apesar da existência de uma lei que tem como objetivo a gestão sustentável dos resíduos sólidos e a extinção dos lixões. Destarte, é mister afirmar que a regra desamparada não muda a realidade, visto que é ineficiente sua aplicação e fiscalização. Por consequência disso, o número de lixões a céu aberto tende a crescer, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública, são quase 3 mil lixões em operação, um risco ao meio ambiente e à proliferação de doenças, e quase 60% das cidades fazem uso de destinos inadequados para descarte de lixo, responsável pela morte de milhões de animais, entre peixes e aves.
       Ademais, o individualismo, associado ao consumismo dos brasileiros, dá impulso a problemática. Isso pode ser justificado pelo conceito de "modernidade líquida", de Zygmunt Bauman, que explica a queda das atitudes éticas, a fim de atender aos interesses pessoais, aumentando o individualismo. Dessa forma, o sujeito ao estar imerso nesse panorama líquido, acaba por não se importar, ou se informar, para fazer o descarte adequado do detrito. Assim, somando-se ainda ao avanço do consumismo no Brasil, em que sociedade consome a cada dia mais, é notório que a quantidade de resíduos produzidos só aumenta, de acordo com o UOL, o país produz cerca de 240 mil toneladas de lixo por dia.
       Urge, portanto, que indivíduos e instituições cooperem para mitigar o problema do lixo. Para que isso ocorra, o Ministério do Meio Ambiente deve construir aterros sanitários, que são mais sustentáveis que os lixões, e, em parceria com as prefeituras, investir na coleta e separação dos resíduos de forma eficiente, a fim de que haja um descarte adequado. Além disso, o Ministério das Comunicações deve veicular, na televisão e na internet, uma campanha de cunho educativo que explique como a população pode fazer a separação e descartar os resíduos domésticos, além de ensinar como reutilizar-los para a confecção de novos objetos, para que a população adote um comportamento sustentável e a quantidade de lixo produzido diminua. Assim, talvez, a profecia de Zweig torne-se realidade.