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    É consenso, em meio às comunidades sócio-políticas atuais, que o destino do lixo no Brasil é um dos principais assuntos que precisam ser abordados pelo cidadão, posto que essa problemática mostrou-se cada vez mais presente no século XXI. Sem dúvidas, o descarte indevido de resíduos é um forte causador de impactos ambientais e também um importante agente no surgimento de doenças graves. Diante disso, deve-se analisar como a falta de infraestrutura e os reflexos do individualismo provocam tal problemática no país.
          É relevante enfatizar, inicialmente, que a precariedade do sistema de coleta de lixo é a principal responsável por esse distúrbio. Isso, porque em 2010 foi estabelecida a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que ordenava o fechamento de todos os lixões do país até 2014, entretanto, de acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), essa política foi um fracasso, pois mais de 50% das Prefeituras Municipais não cumpriram com a determinação e, ainda segundo a ABRELPE, cerca de 30 milhões de toneladas de rejeitos, por ano, são descartados sem qualquer tipo de tratamento. Consequentemente, a deposição de matéria orgânica leva a produção de chorume, que se infiltra nos solos e contamina os lençóis freáticos, o que gera efeitos sobre a água, a fauna, a flora e ainda afeta a saúde pública.
          Ademais, associada aos descasos na infraestrutura, a falta de alteridade, isto é, a falta da capacidade de se colocar no lugar do outro, também é responsável pela problemática em questão. Isso, porque de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, quanto menos alteridade existe nas relações pessoais e sociais, mais conflitos ocorrem. Percebe-se isso, no simples fato de que a sociedade, em sua maioria, não se importa quanto ao destino do lixo produzido e os impactos que ele pode causar, por exemplo, a ocorrência de doenças como esquistossomose, cólera e leptospirose em locais onde o lixo e o esgoto são descartados de maneira irresponsável.
          Fica evidente, portanto, que a questão do lixo está umbilicalmente relacionada à cidadania na atualidade. Diante disso, é crucial a parceria entre o Ministério do Meio Ambiente e as Prefeituras Municipais, para que possam formular alternativas de revisão do cenário permeante, como a implantação de aterros sanitários devidamente qualificados para melhor gerir o destino do lixo. Cabe também, ao cidadão, ir contra o pensamento individualista e, juntamente com as Organizações Não Governamentais (ONG's), promover manifestações e reuniões para discutir e realizar debates sobre a importância do correto descarte e diminuição de resíduos. Assim, alcançar-se-à uma sociedade que pensa globalmente e age localmente.