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    Nas últimas décadas, as revoluções tecnológicas e industriais possibilitaram a aquisição de novos hábitos de consumo, o que acentuou veementemente o descarte de resíduos no meio ambiente. Nessa análise, insere-se a problemática contemporânea do lixo, cujas gravíssimas consequências exigem intervenções concretas e socioeducativas.
          De início, é relevante pontuar a gênese do flagelo. Em conformidade com o sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade pós-moderna inverte a relação tradicional entre necessidades e satisfação. Destarte, o indivíduo é fadado ao consumo incessante, de modo a aumentar continuamente a produção de lixo. Alia-se a isso a negligência política com o tema, realidade que, no Brasil, leva 40% dos descartes a destinos inadequados, segundo o Panorama de Resíduos Sólidos. Nessa perspectiva, a práxis coletiva e o descaso estatal acarretam inaceitável acúmulo de lixo em locais a céu aberto.
          Vale ressaltar, também, o grave custo social consumado pelo problema, cite-se a espoliação do direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, previsto no Art. 196 da Constituição Cidadã. Nesse vetor, inserem-se ainda as doenças intrinsecamente ligadas ao lixo, como cisticercose, leptospirose, giardíase e cólera. Essa conjuntura vai de encontro à Ética da Responsabilidade, conceituada pelo filósofo Hans Jonas, segundo a qual as ações humanas devem sempre promover o equilíbrio ambiental e, por conseguinte, a perpetuação dos seres humanos no planeta. 
          Por isso, é urgente a discussão do tema nas mídias sociais. Nesse sentido, cabe aos grandes grupos televisivos, em parcerias público-privadas, a feitura periódica de campanhas socioeducativas relacionadas à problematização dos hábitos sociais, com o fito de frear o consumismo desnecessário. Além disso, cabe ao Ministério do Meio Ambiente a canalização de verbas orçamentárias destinadas à construção de aterros sanitários, objetivando-se diminuir radicalmente o descarte inadequado de resíduos, com a imposição de sanções e multas aos municípios que não colaborarem com a iniciativa. Já quanto ao Ministério da Saúde, é necessária a alocação de recursos para a ampliação irrestrita do saneamento básico, com vistas a reduzir a incidência de doenças pertinentes. Em conjunto, essas ações podem pôr em prática a Ética da Responsabilidade, abater os impactos ambientais perpetrados pelo lixo e, assim, viabilizar a sobrevivência das gerações futuras.