Lixo e cidadania: “Pensar globalmente, agir localmente”.

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    Ecossistema líquido
    Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, uma das principais características da sociedade pós-moderna é a falta de alteridade. Assim, quanto menor a capacidade de se colocar no lugar do outro nas relações sociais, maior o número de conflitos. Atualmente, esse fato pode ser observado na questão do lixo no Brasil, na qual a displicência com seus impactos origina consequências socioambientais. Dessa forma, torna-se evidente que os desafios no controle dos resíduos sólidos estão ligados tanto ao consumismo da população, quanto à negligência estatal.
    Hodiernamente, no país, os pilares do capitalismo corroboram para o crescente volume de lixo. De acordo com o ambientalista brasileiro, Maurício Woldman, a pecuária, a agricultura e a mineração são as principais atividades responsáveis pela geração de detrito. Desse modo, as altas demandas de produção, instigadas pelo consumismo, fomentam a poluição. Além disso, a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE) afirma que,por ano, cerca de 30 milhões desses rejeitos vão para lixões. Por conseguinte, em razão do despreparo desses locais, altas concentrações de gases do efeito estufa são liberados, os lençóis freáticos são contaminados e a proliferação de doenças, como a cólera e a leptospirose, são favorecidas. Portanto, os padrões de consumo cada vez mais acelerados, provocam prejuízos sociais e ambientais.
    Ademais, é importante ressaltar que o Governo brasileiro é ineficaz no papel mitigador da poluição. No ano de 2010, foi instituída a Política Nacional de Resíduos Sólidos, a qual determinava o fechamento de todos os lixões até 2014. Entretanto, pela falta de fiscalização e apoio estatal, apenas 40% foram efetivamente encerrados. Outrossim, a indiligência governamental, por meio do não recolhimento dos resíduos, da falta de limpeza e controle, origina uma espécia de lixão nas áreas mais carentes. Contudo, por apresentarem contato quase direto com esses indivíduos, suas consequências são agravadas, podendo desencadear epidemias das doenças supracitadas. Destarte, a ineficiência do Estado potencializa questões de contaminação populacional e do ecossistema.
    É indubitável, portanto, que a contenção do volume de rejeitos sólidos no país, é problemática. Para amenizar essa situação, é necessário que o Ministério do Meio Ambiente (MMA) - órgão responsável por viabilizar políticas nacionais que garantam qualidade ambiental - em parceria com as grandes mídias, promova uma campanha de sustentabilidade. Esse processo se dará pela efetivação da Política Nacional de Resíduos Sólidos e por sua dispersão nos meios de comunicação. Dessa forma,será possível que o Brasil promova a alteridade e a harmônia entre o meio socioambiental.