Lixo e cidadania: “Pensar globalmente, agir localmente”.

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    No fim do século XX, com o sucesso do Plano Real e a instauração de uma moeda forte e competitiva, o poder de compra dos brasileiros aumentou e, com isso, consumo de matérias primas. Reflexo de tal processo, hoje, no Brasil, toneladas de lixo são produzidas,diariamente, e possuem seu descarte,quase sempre, feito de maneira irregular pela maioria da população. Diante disso, dois fatores se fazem fundamentais: a pouca consciência ambiental de grande parte da sociedade e o grande consumo que gera um excesso de detritos.
         Segundo o filósofo Hans Jonas, todo ser humano deve agir de maneira tal que os efeitos de suas ações sejam compatíveis com o perpetuar da vida. Tal premissa,entretanto, é pouco vista na conduta da maioria dos brasileiros que descartam, diariamente, grandes quantidades de lixo de maneira irregular em vias públicas e em rios, devido a pouca educação ambiental e a baixa consciência cidadã generalizada em sociedade. Desse modo, impactos ambientais que são sentidos de maneira global, como no caso dos oceanos de plásticos, tornam-se reflexo da banalização de temas sociais que inviabiliza a sustentabilidade em uma população sem senso de coletividade.
         Outro fator importante na questão é o consumo insustentável instaurado no atual panorama social. Na visão do sociólogo Karl Marx, em uma sociedade capitalista, cria-se um fetiche perante o produto que agrega a ideia de felicidade ao seu consumo. Seguindo esse raciocínio, nos dias de hoje, é cada vez maior a necessidade de matérias primas devido a crescente demanda desses insumos, o que acarreta em uma gigantesca produção de lixo. Tal fator ainda é intensificado pela obsolescência programada, fenômeno comum nos eletrônicos atuais, que acontece quando aparelhos tornam-se intencionalmente ultrapassados, incentivando a compra de novos. Dessa forma, cresce todos os anos a produção de lixo eletrônico no país que é, em sua maioria descartado de maneira irregular, provocando graves impactos ambientais às cadeias biológicas, o que evidencia o quanto a irresponsabilidade nos atuais padrões de consumo agravam a situação.
         Portanto, é necessário que o Ministério do Meio Ambiente, institua, por meio de ações governamentais, leis nas quais garis e vigilantes sanitários seriam responsáveis por aplicar multas em casos de descarte irregular de lixo, que seriam cadastrados em um sistema e aumentadas em caso de reincidência, a fim de coibir a poluição por civis. Além disso, o Ministério da educação deve, em parceria com escolas, por meio de congressos ambientais, atenuar sobre necessidade de um consumo consciente em sociedade, evidenciando também formas de descarte do lixo eletrônico em simpósios de educação ambiental, para mitigar a problemática.