Lixo e cidadania: “Pensar globalmente, agir localmente”.

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    Segundo os filósofos da Escola de Frankfurt, o sistema capitalista aliena os indivíduos estimulando o consumo excessivo de seus produtos. É nesse contexto de irreflexão coletiva que se assenta a problemática do acúmulo de lixo no Brasil e no mundo, reflexo da inconsciência social quanto aos impactos do estilo de vida consumista moderno, bem como do descaso das autoridades governamentais, especialmente as brasileiras, com a gestão desses resíduos, o que provoca danos sociais e ambientais no globo. 
          Diante disso, é indubitável que a escassez de espaços de diálogo nas escolas sobre a conservação ambiental e o estilo de vida consciente, esteja entre as causas dessa problemática. De acordo com Hannah Arendt, filósofa alemã, em seu escrito "Eichmann em Jerusalém", o mal insere-se pela irreflexão daqueles que o praticam. Seguindo esse linha de pensamento, as instituições de ensino ao não abordarem com seus alunos as consequências do consumo indiscriminado para a sociedade e para o ambiente, a exemplo do acúmulo de lixo que provoca a contaminação de solos e rios e doenças, como as verminoses, na população, possibilita a permanência da irreflexão coletiva quanto à necessidade de um modo de vida mais responsável para a continuidade das sociedades e do planeta. 
          Outrossim, o frequente descaso dos governos com a adequada gestão desses resíduos sólidos, especialmente no Brasil, agrava tal quadro. Para Aristóteles, em sua obra "Ética à Nicômaco", a política deve ser usada de modo a garantir o bem-estar do corpo social. No entanto, observa-se que no Brasil tal ideal não é devidamente praticado, haja vista que, a despeito da Política Nacional de Resíduos Sólidos, boa parte (20%) do lixo brasileiro ainda é direcionado à lixões - deviam ser desativados até o ano de 2014 pela lei - o que expõe a população à doenças. 
    
          Dessa forma, urge que o Estado brasileiro junto a órgãos internacionais tomem medidas que mitiguem o acúmulo de lixo nas sociedades contemporâneas. Destarte, o Governo Federal brasileiro associado à ONGs e Unesco deve inserir a discussão sobre a conservação ambiental e estilo de vida responsável, nas escolas, por meio de aulas e rodas de conversas com alunos e professores, a fim de estimular a consciência coletiva sobre o papel que cada indivíduo possui na conservação do planeta e na redução do lixo. Por fim, o Estado brasileiro deve desativar os lixões, mediante auditorias, e construir aterros sanitárias para garantir o descarte adequado dos resíduos sólidos e prevenir a contaminação de solos e rios e enfermidades. Assim, poderar-se-á garantir a conservação do meio ambiente e o bem-estar social.