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    " O lixo é comunitário. É a nossa parte mais social." No excerto da crônica "O lixo" do autor Luís Fernando Veríssimo, o cronista faz uma sutil crítica, por meio da situação inusitada dos personagens, ao descarte inadequado do lixo domiciliar. De maneia análoga, fora do contexto literário, a realidade é a mesma, uma vez que é indubitável que ainda há empecilhos para o alcance de uma sociedade harmônica no que concerne ao lixo na sociedade brasileira. Nesse sentido, é válido analisar os fatores que contribuem na manutenção do imbróglio no mundo contemporâneo.
      A priori, é preciso salientar que a inobservância governamental corrobora o impasse. Hodiernamente, segundo dados do FMI, o Brasil ocupa a nona posição na economia mundial. Entretanto, o crescimento econômico não acompanha os investimentos destinados a melhor coleta de resíduos. Sob esse aspecto, é notório que falta no Brasil políticas públicas que visam amenizar os danos causados pelo descarte inadequado do lixo, evidenciando esse caótico quadro de desdém governamental. Por conseguinte, danos ambientais, a nível mundial, são causados, a poluição do ar, dos rios e mares, são exemplos, das consequências nocivas do lixo mal descartado.
      Ademais, o crescente descarte de bens inutilizáveis, incentivado pelo sistema capitalista, colabora para que o revés se enraize no país. Nessa perspectiva, é incontrovertível que o lixo têm se tornado cada vez maior, uma vez que o descarte de bens têm sido crescente na sociedade, influenciada pelos desejos consumistas, típicos do sistema capitalista. Outrossim, o COP- Ciclo de Obsolescência Programada- utilizado por grandes indústrias, que determinam um "prazo de validade", cada vez mais curto, para os bens materiais colabora para que o lixo se torne cada vez maior e menos seletivo. Segundo o filósofo Kant, o princípio da ética é agir de forma que essa ação possa ser uma ação universal e de bem comum. Sendo assim, o incentivo das indústrias a produção de rejeitos se opõe a ética kantiana, uma vez que acarreta danos sociais e ambientais.
      Urge, portanto, medidas na resolução do impasse. Destarte, o governo, por meio do Ministério da Educação em consonância ao Ministério da Saúde, poderá criar campanhas nas escolas públicas, com o auxílio de cartilhas e palestras com profissionais da saúde e meio ambiente, no intuito de, alertar a população dos riscos locais e globais ocasionados pelo descarte inadequado dos desjeitos, incentivando a coleta seletiva de lixo e reciclagem. Além disso, por meio dos Ministérios do Meio Ambiente e Justiça, o governo deverá fiscalizar e, se necessário, punir indústrias que fazem o descarte de forma errônea do lixo industrial, alertando que o lixo é uma ação social como defende Veríssimo na crônica supracitada.