Lixo e cidadania: “Pensar globalmente, agir localmente”.

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    De acordo com o autor do livro "Fenomenologia do Espírito", Georg Hegel, toda realidade é fruto de um processo histórico. Para o filósofo alemão, os ideais são cada vez mais perpetuados à medida que há progresso na razão humana. Fora do pensamento idealista, a concepção ganha forma a avaliar que o não recente crescimento exponencial do lixo persiste intrinsecamente ligado à atualidade no país. Desse modo, convém analisar a inobservância governamental, assim como a lenta mudança da mentalidade social como elementos fundamentais da problemática. 
          Segundo Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da sociedade. No entanto, esse conceito encontra-se negligenciado, visto que a falta de atuação das autoridades na resolução do impasse ocasiona uma perpetuação dos crescentes índices de contaminação pelo lixo e afins. Tal conjuntura ainda é intensificada pela falta de investimento na formação de aterros seguros para a população, que se vê desassistida. Assim, sem o comprometimento desse setor, o problema é agravado e coloca em risco a saúde de diversos habitantes. 
           Ademais, convém avaliar os efeitos que a falta de informação possui na manutenção da poluição gerada pelo lixo. Consoante à Teoria do Habitus, de Pierre Bourdieu, nossas práticas são resultado de condições culturais específicas de uma sociedade. Dessarte, os costumes protagonizados pelos antepassados de determinado grupo são conservados e, hoje, ainda ecoam no exacerbado descarte de resíduos. Logo, a ignorância acerca dessa conjuntura promove a falta de produção de lixo de forma consciente e faz com que o progresso para a resolução do impasse tenda a não ocorrer. Portanto, uma mudança nos valores da sociedade é essencial para atenuar os efeitos do mal uso do lixo.
          Depreende-se, portanto, que é necessário uma tomada de medidas que atenuem a problemática supracitada. A princípio, cabe ao Governo criar postos de coleta de lixo que foi previamente selecionado, para os que já promovem uma melhoria de forma particular, se sintam motivados a continuar seu trabalho, a fim de gerar um descarte mais consciente. Paralelamente, cabe às Organizações Não Governamentais (ONG's) distribuírem cartilhas advertindo sobre os perigos de deliberarem seus rejeitos sem prévia conscientização, objetivando universalizar o conhecimento sobre os prejuízos dos resíduos em excesso, assim como sensibilizar todas as camadas da sociedade a ajudar a resolver o problema. Assim, o conceito de Hegel, que é uma questão no Brasil hodierno, deixará de ilustrar tal conjuntura no futuro.