Lixo e cidadania: “Pensar globalmente, agir localmente”.

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    Orgulho machadiano
          Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, afirma em suas "memórias póstumas" que não teve filhos e não transmitiu a nenhuma criatura o legado da miséria da sociedade. Talvez, hoje, ele percebesse acertada sua decisão: a postura de muitos brasileiros frente ao consumismo em massa é uma das faces mais perversas de um país em desenvolvimento. Com isso, surge a problemática da gestão do lixo, que se encontra intrinsecamente ligada à realidade brasileira e se mostra consideravelmente nociva à vida em comunidade.
          Em primeiro plano, é indubitável que os efeitos do capitalismo estão entre as causas do problema. A fomentação da Revolução Industrial trouxe consigo o auge do capitalismo, o que, posteriormente, gerou uma sociedade consumista baseada no American way of life. A partir dessa condição, associada ao processo de urbanização vigente até os dias de hoje, houve drástico aumento, seja na produção de lixo, seja na diversificação de sua composição. Portanto, foi criado um interminável círculo vicioso, pautado na complementaridade da obsolescência programada com um consumo exarcebado, que tem como principal consequência a produção contínuo de lixo.
          Outrossim, destaca-se a lenta mudança de mentalidade socioambiental como impulsionadora dessa problemática. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de ser e agir, dotada de coercitividade, generalidade e exterioridade. Ao seguir essa linha de pensamento, observa-se que a má gestão do lixo pode ser encaixada na teoria do sociólogo, uma vez que, se uma criança reside em uma família com esse comportamento, tende a adotá-lo por conta da vivência em grupo. Assim, a carência de pessoas conscientes, consolidada de geração em geração, funciona como forte base dessa forma de descaso, agravando essa intempérie no Brasil.
          Torna-se perceptível, por conseguinte, que o desafio da administração do lixo é fruto das resultantes do capitalismo e da ausência de uma consciência socioambiental como intensos fatos sociais. Para modificar esse cenário, o Governo Federal deve financiar tanto pesquisas que visem à criação de formas eficientes de reaproveitamento e reciclagem, quanto a construção de aterros sanitários em diversas regiões. Ademais, é fundamental a valorização da população por medidas sustentáveis, como a preferência pela utilização de materiais biodegradáveis e a troca de eletroeletrônicos somente quando necessário. Dessa forma, poder-se-á transformar o Brasil em um país desenvolvido socialmente e criar um legado de que Brás Cubas pudesse se orgulhar.