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    Segundo Sartre, filósofo francês, o ser humano está condenado a ser livre e é responsável por todas as suas escolhas. Logo, com o avanço do sistema capitalista, a preocupação com a gestão do lixo tornou-se necessária para exercer a chamada sustentabilidade, ou seja, suprir as necessidades atuais sem comprometer o futuro das futuras gerações. Estamira Gomes, a mais sábia catadora de lixo, exibia um discurso filosófico e poético acerca da vida. Seu legado humaniza os catadores de lixo escondidos na miopia do consumo, à sombra dessa realidade putrefata.
                    Em primeiro lugar, é válido ressaltar que o atual modelo de globalização estimula o consumo exacerbado e a obsolescência programada, sem contudo, preocupar-se com o destino dos resíduos. Em 2015, por exemplo, a quantidade de entulho e lixo hospitalar abandonada nas ruas brasileiras equivalia a 1450 estádios do Maracanã. O resultado é a contaminação do ar, do solo e dos lençóis freáticos, além de desmoronamentos e explosões. Ademais, há cerca de 400 mil catadores de lixo do Brasil, parte deles trabalha e até mora em lixões, sofrendo com frequentes acidentes e doenças. O ano de 2014 marcou o fim do prazo concedido pela Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS) para os municípios erradicarem os lixões, no entanto, muitos não se adequaram a essa meta. Além disso, sua maior diretriz, que é a reciclagem intensiva, na maioria das vezes é ignorada.
                 Em segundo lugar, também de acordo com a PNRS deve-se executar a chamada logística reversa, política que atribui responsabilidade ao fabricante de recolher o lixo produzido por seus produtos. Por exemplo, os fabricantes de pilhas e baterias podem manter pontos de coleta específicos para receber esses produtos depois de usados. Os resíduos secos - papel, vidro, latas de alumínio e aço- cerca de 30% do lixo domiciliar, podem ser aproveitados pela indústria. É preciso também processar a fração orgânica - restos de comida -  que por meio da compostagem obtém-se fertilizante para o solo. Ademais, é preciso que tenha uma política específica para recolher cada tipo de lixo, como por exemplo o radioativo, que precisa de cuidados específicos para evitar contaminações letais, como ocorrido com o Césio 137, em Goiânia, no ano de 1987. 
                     Dessa forma, é preciso que o Estado em conjunto com as prefeituras intensifique a construção de aterros sanitários para erradicar os lixões, mas sempre priorizando a reciclagem que é uma alternativa para diminuir o volume de resíduos, além de gerar uma renda extra para os trabalhadores. A PNRS deve desenvolver planos de gestão do lixo em que os catadores sejam incluídos de forma digna no sistema de coleta seletiva por meio de cooperativas e trabalho com carteira assinada. Assim, será evitado que outras Estamiras morram pelo mesmo descaso.